Expressamos a nossa solidariedade com os estudantes e as respetivas famílias, que vivem tempos de ansiedade e angústia, devido à irresponsabilidade do Governo ao alterar o procedimento de classificação dos exames nacionais, e aos professores, pelo profissionalismo e brio que colocam no seu trabalho.
Se hoje o Governo está cá, foi porque o PCP obrigou. Há dias que o Ministro da Educação e o Governo fogem ao escrutínio na Assembleia da República.
É inadmissível que perante a situação caótica nos exames, o Ministro e o Governo procurem sacudir as suas responsabilidades, procurando responsabilizar as escolas, os diretores, os professores e até as famílias.
Acusaram os professores de estarem a provocar perturbações, quando são os professores que todos os dias têm dado o litro para a classificação dos exames. Talvez quisessem impor a lei da rolha e impedir que denunciassem os problemas? Era o que mais faltava! E acusaram as famílias de serem imprudentes por marcarem férias no período previsto para o fazerem.
Mas quem é que decidiu alterar um procedimento que estava consolidado, para um procedimento, que como todos estão a ver, não reunia as condições para ser implementado e muito menos generalizado?
É a vida que demonstra que quem foi verdadeiramente imprudente e precipitado foi o Ministro e o Governo.
Não se compreende como é que depois de uma tentativa falhada com o projeto-piloto de filosofia, no ano passado, o Ministro decide alargar o procedimento a todos os exames.
Atrasos na entrega dos códigos aos professores, convocação de professores aposentados, atrasos e erros na distribuição de exames, itens incompletos com folhas em falta, distribuição de itens já classificados obrigando professores a corrigir duas e três vezes a mesma prova, sobrecarga de trabalho dos professores, plataforma suspensa diversos períodos e ainda ontem o Ministro veio dizer que faltavam professores classificadores e depois não convocaram os professores que manifestaram disponibilidade.
Isto é a prova provada que o Governo decidiu avançar com um procedimento experimentalista sem estar devidamente testado, em que os estudantes foram as cobaias e os professores o bode expiatório de um problema criado pelo Governo.
E como se tudo isto não fosse já suficientemente negativo, é um dirigente do PSD que fala pelo Ministério e anuncia que o trabalho extraordinário será pago, como se não fosse uma obrigação legal! E já agora, graças à derrota do pacote laboral, o que foi “oferecido” aos professores não foi o banco de horas.
O caos nos exames não está dissociado do desmantelamento do Ministério da Educação. Denunciamos no ano passado que estávamos perante a imposição de “uma alteração radical feita à revelia das instituições, das escolas, da comunidade educativa e das estruturas representativas dos trabalhadores.” Os resultados estão à vista: dispensa de centenas de trabalhadores com anos de experiência, recurso ao outsourcing e perda de capacidade do Ministério. Aí estão as consequências do neoliberalismo, do Estado mínimo, da opção de um Estado sem instrumentos para intervir, refém dos interesses privados. É esta a vossa visão!
A afixação dos resultados dos exames não pode ser feita de qualquer maneira, nem é um mero ato administrativo. Tem de garantir rigor.
Serão certamente muitos os pedidos de reapreciação, dada a falta de fiabilidade do procedimento adotado. Também aqui o Ministro dá o dito pelo não dito. Afinal o acesso aos exames não será automático através de um link, será apenas se for requerido e serão os agrupamentos de escola que determinarão o procedimento. Mais uma vez o Governo transfere o ónus para as escolas.
Chegados aqui, há várias questões que precisam de ser respondidas:
Garante que as classificações correspondem às provas realizadas pelos estudantes? Com itens incompletos ou vazios, que orientações foram dadas para as classificações? Disseram aos professores para classificar os elementos que tinham?
Garante que todos os estudantes terão acesso à sua prova e à respetiva correção?
Na próxima semana inicia-se a segunda fase dos exames. Que medidas tomou para que todos estes problemas não se voltem a repetir?
Com toda esta trapalhada no final deste ano letivo, os professores assoberbados, como está a ser a preparação do próximo ano letivo? Garante que não vai haver constrangimentos no início do ano letivo?
A prioridade neste momento é garantir que nenhum estudante é prejudicado no seu percurso escolar por um problema cujo único responsável é o Governo.
São os sonhos, é a vida dos jovens, que tanto trabalharam para aqui chegar, que estão em causa.
Diga-nos que soluções serão adotadas para que nenhum estudante seja prejudicado?


