Camaradas e amigos,
De Valença a Ponte de Lima, dos Arcos de Valdevez a Caminha, aqui estamos, vindos de todo o Alto Minho, na nossa 12,ª Assembleia da Organização Regional de Viana do Castelo do Partido Comunista Português.
Aqui estão os militantes do Partido e, para alguns é mesmo, a 12.ª Assembleia, para outros será a 1.ª. A todos saudamos pela sua dedicação e disponibilidade. Cumprem aqui o seu direito e dever de participar na vida do Partido, na decisão das suas orientações, prioridades, na eleição da Direcção da Organização Regional.
Aqui estão os amigos, companheiros de muitas lutas, a quem agradecemos terem aceitado o convite, e deixamos a garantia de que, se contamos convosco, podem então contar com este Partido, com paredes de vidro e a porta sempre aberta a quem vem por bem e quer uma vida melhor para o nosso povo e o desenvolvimento da nossa região e do nosso País.
Este é o último dia de uma Assembleia que começou a ser construída ainda no ano passado. Realizamos esta Assembleia por cumprimento estatutário, naturalmente, de cada Organização analisar a actividade realizada, definir a orientação para a actividade futura e eleger a respectiva direcção, mas não é, como nenhuma tarefa do Partido deve ser, mera rotina.
Nos últimos meses, olhámos às nossas forças, à nossa organização. Realizamos Assembleias nos concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca. Constituímos, por exemplo, o organismo interconcelhio de Valença, Melgaço e Monção para ultrapassar insuficiências do trabalho e acompanhamento do Partido ao norte do distrito. Decidimos a criação de novos organismos entre várias freguesias e alargamos colectivos para frentes de trabalho e sectores. Em cada momento, identificámos nomes para recrutar e responsabilizamos mais camaradas por tarefas regulares. Discutimos a resolução política que hoje se apresenta, já com melhoramentos propostos pelos camaradas.
E cá estamos, camaradas, 4 anos depois da última Assembleia. 4 anos que não estão isentos de dificuldades, mas 4 anos em que o Partido não se escondeu, não virou a cara à luta nem ficou à espera de melhores ventos.
Colocaram-se novas exigências ao nosso trabalho. Nestes 4 anos, as condições de vida da maioria pioraram e o governo PSD/CDS, apoiado por IL e Chega, qual encarregado do grande capital, apostou e aposta forte na sua política anti-popular. Alastra-se a mentira, investem no anti-comunismo, na divisão e no isolamento, procuram fragilizar a acção e organização dos trabalhadores. Promovem concepções reacionárias e fascizantes, a reescrita da história, o ataque aos valores e às conquistas de Abril. Cresce a agressividade do imperialismo e a propaganda de guerra atinge níveis tenebrosos. Normalizam-se discursos, forças e intervenções que não têm lugar no Portugal democrático.
Construímos os nossos resultados eleitorais neste quadro. Em duas eleições para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu, para a Presidência da República e nas Eleições Autárquicas do passado ano, em que, apesar dos 22 eleitos da CDU conseguidos no distrito e da presidência da União das Freguesias de Santa Maria Maior, Monserrate e Meadela, a perda de mandatos em concelhos, das presidências das juntas de freguesia de Darque e Vilar de Mouros ou de vereador na Câmara Municipal de Viana do Castelo exigem um reforço da nossa intervenção com outros meios.
Mesmo sem deputados eleitos pelo distrito, recebemos em Março as Jornadas Parlamentares do Partido e, em 4 anos, foram dezenas de iniciativas e visitas com deputados do Partido na Assembleia da República e do Parlamento Europeu. Foram centenas de intervenções, denúncias e propostas nos órgãos autárquicos. Foram milhares e milhares de contactos realizados com trabalhadores nas ruas de todo o distrito e à porta das fábricas de Lanheses ou do Neiva, de Gandra ou da Gemieira.
Camaradas,
Enquanto no nosso distrito os salários forem cerca de 80% da média nacional, já de si baixa, enquanto a precariedade for sentença dos jovens trabalhadores ou os horários não permitirem acompanhar o crescimento dos filhos, os comunistas lá têm de estar, a organizar e a lutar. Bem sabemos que, quando os trabalhadores da DS Smith se lançaram para a greve ou os trabalhadores da Coindu foram despedidos, foi a solidariedade e apoio dos comunistas deste distrito que encontraram.
Enquanto as urgências pediátricas funcionarem em contentores ou os serviços de atendimento permanente estiverem encerrados, penalizando as populações mais isoladas, enquanto houver doentes oncológicos a 2 horas dos seus tratamento de radioterapia ou a saúde for um negócio de milhões, como acontece com o serviço de radiologia no Hospital de Santa Luzia entregue a privados, os comunistas deste distrito lá têm de estar, em defesa do SNS, ao lado dos utentes e dos profissionais de saúde, como estiveram no passado dia 21.
Enquanto a privatização da água for um risco e a AdAM estiver a lucrar com as nossas dificuldades, os comunistas deste distrito continuarão nas ruas e nos órgãos autárquicos a exigir a água pública e o fim da AdAM.
Enquanto os direitos inscritos na Constituição da República Portuguesa não forem realidade vivida por todos, enquanto a Regionalização continuar a ser boicotada por PS e PSD, cá estão os comunistas com todos os democratas em defesa dos Valores de Abril.
Enquanto as desigualdades entre homens e mulheres se fizerem sentir, enquanto o direito à habitação ou à mobilidade estiverem por cumprir, enquanto o imperialismo e a guerra forem uma ameaça à própria Humanidade, os comunistas deste distrito não poderão faltar à chamada, como não faltaram nestes 4 anos em tantas acções, concentrações, manifestações, tribunas, mostrando como são indispensáveis para organizar e agregar, para dinamizar a luta de massas com a sua experiência e ligação à vida.
Estamos, portanto, conscientes das exigências colocadas. E, para sermos bem sucedidos no combate, para resistir e avançar, precisamos de um Partido mais forte e ainda mais ligado às massas. O XXII Congresso e a mais recente Resolução do Comité Central “Reforçar o Partido: é preciso! É possível!” apontaram as principais orientações para o reforço do Partido que precisamos de interpretar, traduzir e aplicar na nossa organização.
Sem balas de prata, temos na entrega do novo cartão do Partido e no contacto com todos os membros do Partido uma oportunidade de reforçar a militância, de actualizar dados e quotizações. Se é verdade que esse trabalho já deu alguns frutos, ainda temos a grande maioria dos cartões por entregar.
É preciso mais camaradas responsáveis por tarefas regulares, integrados em organismos - que se devem adaptar à realidade da organização hoje - permitindo uma maior participação nas reuniões do Partido e na acção que aí se decida.
É preciso integrar quem decida tomar Partido, e desde a última Assembleia registamos 56 novos militantes, muitos dos quais aqui presentes. Conhecer as características e disponibilidades de cada um, garantir a formação política e ideológica em tempos tão complexos como os de hoje.
É preciso dar um verdadeiro salto na criação e regularização do funcionamento de células de empresa, aumentar o número de camaradas organizados a partir dos locais de trabalho e sectores profissionais, o que na nossa organização é muito insuficiente.
É preciso recrutar, de forma organizada, identificar e contactar todos quantos se destacam nos processos de luta e eleitorais.
É preciso reforçar a acção junto da juventude e apoiar a intervenção própria da JCP.
Sem prejuízo dos avanços realizados nos últimos anos, é preciso avançar ainda mais no trabalho de propaganda e comunicação, com mais qualidade, quantidade, mas também mais celeridade nas redes digitais, no cartaz MUPI e no folheto concreto.
É preciso garantir a independência financeira do Partido, condição essencial para a sua independência política. Com o reforço da quotização, designadamente com o pagamento por débito directo, que tem crescido, mas também com a dinamização de mais iniciativas e campanhas de fundos, potenciando os 3 Centros de Trabalho que detemos no distrito.
É preciso e é possível, camaradas.
Sobre tudo isto e o mais que houver, os camaradas das diferentes organizações falarão certamente. Mas há um elemento determinante, camaradas, chão de tudo o que queremos e precisamos de construir: A iniciativa de cada organização sobre os problemas e a ligação às massas populares. Não vamos reforçar o Partido porque sim nem porque queremos muito, e se é verdade que o reforço do Partido permitirá mais acção e iniciativa, temos provas de todos os dias de como é a própria acção e iniciativa do Partido a mais firme garantia do seu reforço e fonte de reconhecimento do seu papel indispensável.
É que, quando alguém, indignado por pagar caro a guerra do imperialismo no supermercado e na bomba de gasolina, se confronta com o buzinão do Partido ou com a nossa bandeira à saída da Estação de Comboios, deixa de estar apenas no campo da comunicação social dominante e dos algoritmos. É o Partido, este Partido, que ali está e dá corpo à sua indignação, mas também oferece caminho e solução para os seus problemas. Ouvir e conhecer os problemas, denunciar com o nosso folheto ou fazer um abaixo-assinado, … Pelo caminho, desconstruir preconceitos e trazer um vizinho para a luta, sindicalizar um colega de trabalho, inscrever um amigo no Partido.
A vida não se decide apenas nas altas esferas. E veja-se o Pacote Laboral que o governo, apesar de todas as condições institucionais que tem, ainda não conseguiu aprovar… Com a Greve Geral de Dezembro, as comemorações da Revolução de Abril e a jornada de luta do primeiro de Maio ainda frescas na nossa memória, estamos a poucas semanas da greve geral de 3 de Junho convocada pela CGTP, que daqui saudamos e que provará, uma vez mais, que é mesmo a força da luta organizada dos trabalhadores que tem a última palavra.
Avancemos, então, camaradas, com ousadia, com alegria também, afirmando o Partido Comunista Portugues e fortalecendo a sua organização no distrito de Viana do Castelo.
Bom trabalho, camaradas.



