Senhora Presidente, Senhora Comissária Lahbib,
Este debate sobre a designada preparação para as crises é o debate da fuga às responsabilidades, da promoção do medo e da ideologia da guerra.
A Comissão Europeia secundariza o papel dos Estados e das estruturas e dos serviços públicos essenciais, concebendo a preparação para as crises como uma responsabilidade individual dos cidadãos.
Ao mesmo tempo que trata de situações que justificam verdadeira preocupação com a proteção civil ou infraestruturas críticas, a Comissão promove o medo, porque o medo é o cavalo de Troia dos povos, para que assimilem e aceitem o que naturalmente recusariam por se opor aos seus interesses.
A razão dessa promoção do medo encontramo-la nas palavras do escritor Mia Couto quando disse: «Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas.»
A promoção das crises esconde os fantasmas e o medo com que querem acomodar os povos à ideologia da guerra.
Por nós não passarão.