Confirma-se a evidência de que o Governo, o PSD e o CDS que o suportam, mas também o Chega, o PS e a IL que viabilizam as suas políticas, não ousam tocar num único cabelo dos grandes interesses que servem.
Não se lhes ouve uma palavra, uma sílaba que seja, sobre os lucros exorbitantes que os grandes grupos – da banca e da energia aos bens alimentares – arrecadam à custa do sacrifício dos trabalhadores, das famílias, das micro, pequenas e mesmo médias empresas.
Pelo contrário, travaram os avanços necessários para conter a escalada preços que esmaga as famílias, os agricultores, a pequena pesca, as micro e pequenas empresas.
De nada valem bravatas de pacotilha, se não querem afrontar os lucros escandalosos baseados em baixos salários e na apropriação dos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas, ou no endividamento de famílias e empresas.
Cá estamos novamente, com mais propostas para um combate determinado à especulação e pelo controlo de preços de bens e serviços essenciais, contrariando os interesses em que esses partidos não querem mexer.
Reduzir o problema da escalada de preços à questão dos impostos, como fazem o Chega, a IL ou o PS, está longe de os baixar realmente, antes leva ao desvio de receitas públicas para a engorda dos grupos económicos à custa dos sacrifícios do povo.
Veja-se o celebérrimo caso do IVA zero, de que a patroa da Sonae tanto gosta, porque muito aproveitou aos seus supermercados: foram escassos os efeitos nos preços reais e os lucros ficaram intactos.
O que é necessário, a par do aumento e da valorização geral dos salários e das pensões e reformas, é o controlo dos preços dos produtos do cabaz alimentar;
a definição de preços de referência para a gasolina, o gasóleo e o GPL; a fixação de preços máximos de venda ao público;
a fixação definitiva dos regimes de tarifas reguladas de energia;
a proteção da habitação de quem tem créditos bancários, intervindo nas taxas, comissões e outros encargos, assim como a contenção das rendas.
É indispensável garantir apoios e compensações aos sectores mais afetados pelo aumento dos preços dos combustíveis e de outros fatores de produção, como o PCP também propõe.
A vida demonstra que o PCP tinha razão quando afirmou que seriam insuficientes as medidas do Governo para a agricultura, as pescas, as atividades produtivas, e especialmente as indústrias fortemente dependentes de combustíveis e de energia em geral, os transportes e os bombeiros.
Por isso defendemos compensações às micro, pequenas e médias empresas, empresários em nome individual e cooperativas do transporte de passageiros ou mercadorias, de reboques, indústria, comércio itinerante e feirantes, agricultura, pescas, florestas e corporações de bombeiros.
Assim como propomos compensações às empresas industriais e de restauração pelos aumentos do gás; e a aquisição pública (via IFAP) para fornecimento aos agricultores, a preços controlados, de adubos e fertilizantes, fitofármacos, rações e outros fatores de produção.
São propostas que permitem avanços por uma vida melhor.
É por isso que o PCP cá está.



