Intervenção de Paulo Raimundo na Assembleia de República, Reunião Plenária

A Assembleia da República não pode ficar indiferente ao bloqueio desumano dos EUA a Cuba

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A Assembleia da República não pode ficar indiferente perante o recrudescimento do bloqueio e as ameaças de agressão militar proferidas pelo Presidente dos EUA contra Cuba, uma nação soberana e com a qual Portugal tem longas relações diplomáticas e de amizade.

Um desumano e criminoso bloqueio e inaceitáveis ameaças que numa flagrante violação dos princípios da Carta da ONU e do direito internacional, atentam contra a soberania e os direitos do povo cubano.

Um crime sucessivamente denunciado na Assembleia Geral das Nações Unidas pela esmagadora maioria dos países incluindo, e bem, por Portugal.

Quando a inarrável administração Trump decide aumentar as tarifas à União Europeia ficam todos à beira de um ataque de nervos, agora cada um que pense o que é enfrentar um criminoso bloqueio, que impede um povo de adquirir comida, medicamentos, combustíveis ou de realizar transações económicas e comerciais com outros países, e é assim não por um dia, não por uma semana ou por um mês, é assim há mais de 60 anos.

Não nos deixamos enganar, nem alimentamos o engano.

O criminoso bloqueio dos EUA a Cuba é o primeiro e grande responsável pelas dificuldades por que passa a economia de Cuba.

E para quem cinicamente oculta esta realidade e o que ela significa na vida dos Cubanos, aqui recordamos as palavras e o sentido das mesmas do Subsecretário de Estado norte-americano em 1960:

«(...) todos os meios possíveis devem ser rapidamente empregues para enfraquecer a vida económica de Cuba (...) uma linha de acção que (...) alcance os maiores avanços na privação de Cuba de dinheiro e mantimentos, a fim de reduzir os seus recursos financeiros e salários reais, provocar fome, desespero e o derrube do Governo ."

E assim tem sido desde dessa altura com um cruel bloqueio que visa atingir, precisamente, as condições de vida de um povo, que não abdica da sua soberania e direitos.

Cuba não é, nem nunca foi uma ameaça aos povos, pelo contrário, 

Cuba e o seu povo foram sempre exemplos de dignidade, determinação e de solidariedade.

Enquanto uns impõem bloqueios, sanções, guerra e exploração, 

Cuba dá tudo o que pode em solidariedade e cooperação com os povos.

A solidariedade com o povo cubano é um dever de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia, da paz e do direito internacional.

Daqui saudamos esse exemplo de dignidade, de determinação e de unidade do povo cubano em defesa da sua pátria e da sua Revolução.

Daqui expressamos a solidariedade a Cuba, ao seu povo e ao seu legitimo direito de decidir soberanamente o seu próprio caminho, livre de ingerências externas.

Solidariedade para com o povo Cubano e a inequívoca condenação do bloqueio e agressão a Cuba por parte dos EUA, esta é a única posição admissível deste parlamento mas também de um governo de um País que aspira a ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU.

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