Agradeço o honroso convite que foi dirigido ao Partido Comunista Português para participar nesta importante Conferência, sob o mote «Cuba, a Revolução e o Mundo», promovida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba em conjunto com outras organizações e personalidades que abraçam o movimento de solidariedade com Cuba.
Uma iniciativa que teria sempre uma importância extraordinária, mas que assume particular significado neste exacto momento em que a agressão e as ameaças do imperialismo norte-americano contra Cuba ganham novos e perigosos contornos.
Este é o momento de aqui estarmos, firmes e determinados na solidariedade para com o povo cubano e a sua Revolução socialista.
Saúdo os presentes e todos os que erguem a sua voz em defesa do direito do povo cubano a escolher o seu próprio caminho, mas permitam-me uma saudação particular a José Ramón Saborido Loidi, Embaixador da República de Cuba e, por seu intermédio, envie uma saudação e um abraço de amizade a Miguel Díaz-Canel, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República de Cuba.
Miguel Diaz Canel que aqui mesmo, na Voz do Operário, no dia 15 de Julho de 2023, participou numa bonita, sentida e determinada iniciativa de Solidariedade com esse que é o grande herói da Revolução Cubana – o heróico Povo Cubano, o povo de exemplar dignidade, que defende convicta e firmemente a sua soberania e direitos.
Um povo de coragem, determinação e de uma exemplar solidariedade para com todos os povos e com a luta pela emancipação nacional e social.
Nesta Conferência assinalamos o 100.º aniversário do nascimento de Fidel de Castro, o mais destacado obreiro da Revolução cubana e da sua extraordinária projecção mundial.
A par das riquíssimas experiências e ensinamentos que as particularidades da Revolução cubana e da sua marcha para o socialismo encerram, desde logo, e com o contributo de Fidel, no combate às injustiças e desigualdades sociais geradas pelo sistema capitalista.
Fidel deixa-nos ainda um rico e actual legado de reflexões, propostas inspiradoras e guias de acção.
São disso exemplo “A História me absolverá”, a sua corajosa e inspirada defesa em tribunal após o assalto ao Quartel Moncada, e as suas audaciosas e fundamentadas posições em relação ao combate ao subdesenvolvimento, à problemática da dívida externa do “Terceiro Mundo”, às questões ambientais, ao desarmamento e à defesa da paz, entre muitas outras.
Reflexões e propostas que são inseparáveis da sua formação marxista-leninista e portadoras de uma inabalável convicção na necessidade e possibilidade de libertar a Humanidade da exploração e opressão capitalista.
O PCP esteve sempre solidário com o povo cubano e o seu empreendimento revolucionário que, ao pôr fim a uma brutal ditadura pró-norte-americana às portas dos EUA, abriu caminho a profundas transformações políticas, económicas e sociais, constituindo assim um poderoso estímulo às forças revolucionárias na América Latina e para a luta em todo o mundo na construção de sociedades livres da opressão do colonialismo e do imperialismo.
Uma Revolução que, com Fidel, Raul, muitos outros audaciosos e convictos revolucionários e com uma impressionante e participação popular, enfrentou sempre imensas dificuldades, desde logo as impostas pelo bloqueio mas também as que resultaram do fim da União Soviética, mas que mesmo assim conseguiu colocar Cuba no primeiro plano em índices sociais, culturais, científicos ou desportivos, mas onde é preciso destacar sempre as realizações e as conquistas no plano da Medicina e a solidária acção de milhares e milhares de médicos e outros profissionais de saúde cubanos em numerosos países do mundo, aliás como se voltou a verificar durante a pandemia.
Não esquecemos o exemplo dos milhares de cubanos – médicos, professores, militares – que na América Latina, em África e noutros pontos do mundo deram a sua generosa contribuição, e mesmo a própria vida, pela libertação de outros povos.
São inúmeros os exemplos em que o povo cubano respondeu ao apelo de outros povos para os ajudar na sua luta contra o colonialismo e o imperialismo.
Mas lembremos aquele em que, contando também com a ajuda da União Soviética e de outros países socialistas, milhares de militares cubanos lutaram ao lado do MPLA contra as tropas invasoras do regime de apartheid da África do Sul e os seus protegidos, os terroristas da UNITA.
Desde a crucial batalha de Quifangondo até à histórica batalha de Cuito Cuanavale, muitas centenas de cubanos deram a sua vida em defesa da independência de Angola e pela libertação de toda a África Austral do domínio colonial e do flagelo do racismo e do apartheid.
Este é o momento para relembrar cada um destes exemplos e também para afirmar uma outra questão.
Enquanto outros distribuem bombas pelo mundo, Cuba distribui médicos e vacinas; enquanto outros impõem bloqueios, sanções, a guerra e a exploração, Cuba dá o que tem e não tem de solidariedade e cooperação aos povos, e se assim o é, então esta é a hora para que esses povos e todos os povos do mundo se mobilizem pelo povo Cubano.
A solidariedade com o povo cubano não é apenas um dever de quem se identifica com os valores e ideais da sua Revolução socialista, é um dever de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia, da paz, desde logo dando ainda mais força e de forma clara à campanha nacional em curso “Por Cuba. Fim do Bloqueio”.
As sérias ameaças que hoje pairam sobre Cuba não são de agora.
Desde a clamorosa derrota na invasão da Baía dos Porcos, em 1961 – a Vitória de Playa Girón que alegrou os povos da América Latina e de todo o mundo e que celebrou o seu 65.º aniversário há poucos dias –, foram inúmeras as operações do imperialismo norte-americano para desestabilizar e sufocar a Revolução cubana e para assassinar Fidel Castro.
Foi imposto a Cuba um criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro que, embora condenado ano após ano pela Assembleia Geral da ONU, não só não foi levantado como foi sistematicamente agravado, tendo sido particularmente recrudescido em 2019, durante a primeira Administração de Donald Trump.
Os que ostentam a sua suposta superioridade sistémica são os mesmos que só combatem se o seu adversário tiver as mãos e os pés amarrados.
Deixem Cuba em paz, deixem o povo Cubano construir o seu próprio caminho.
Cuba bloqueada responde mais ao seu povo do que todos os países à sua volta nas mãos e financiados pelos EUA.
E é verdadeiramente notável que Cuba resista há mais de 67 anos à permanente agressão da mais poderosa potência imperialista do mundo, resistência que revela uma clara manifestação da superioridade do caminho socialista, pelo qual, desde muito cedo, Fidel e os seus companheiros optaram.
As principais dificuldades atravessadas pela economia de Cuba resultam do criminoso e ilegal bloqueio imposto pelos EUA, dificuldades que seriam brutalmente agravadas com o fim da URSS e novamente acentuadas com a recente agressão militar dos EUA contra a Venezuela bolivariana.
A tudo isto o povo cubano resistiu dando provas de uma imensa dignidade e de profunda identificação com o processo socialista.
“Somos um povo que nega submeter-se ao império da mais poderosa potência económica, política e militar da História, muito mais que na antiga Roma. Como aqueles cristãos atrozmente caluniados para justificar crimes, nós, tão caluniados como eles, preferimos mil vezes a morte a renunciar às nossas convicções”.
Estas palavras de Fidel, durante a visita a Cuba do Papa João Paulo II, em Janeiro de 1998, são expressão de uma profunda convicção e determinação.
O imperialismo norte-americano, procura obstaculizar a entrada de combustível em Cuba e vai mais longe, proclama indecentes declarações no sentido de dominar o país.
Atitudes que se inserem numa mais vasta escalada agressiva do imperialismo a nível planetário que, a não ser contrariada, conduzirá o mundo a uma confrontação de catastróficas proporções.
Uma escalada liderada pelos EUA que procuram desesperadamente responder à decadência da sociedade capitalista norte-americana e ao declínio da influência dos EUA no plano mundial, um caminho que procura recuperar na América Latina e Caraíbas, a chamada doutrina Monroe e ao mesmo tempo que, no Médio Oriente, em aliança com Israel, leva por diante o genocídio do povo palestiniano e a agressão militar ao Irão, ao Líbano e a outros países da região.
Os EUA, com a cumplicidade dos seus aliados do G7 e da UE, está a tentar desmantelar a ordem internacional resultante da derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, e substituí-la por uma outra ordem ditada pela força e dominada pelo imperialismo.
Este, apesar de toda a força do imperialismo, não é porém um caminho inevitável, é possível resistir e derrotar o militarismo e a guerra.
É possível romper as falsificações e as mentiras com que a classe dominante com os seus poderosos meios de manipulação ideológica, procuram condicionar os povos.
Fidel tinha razão quando, em diferentes momentos, apontava a raiz dos graves problemas do mundo contemporâneo nas relações de opressão e exploração colonialista e imperialista.
E no momento em que de novo a pior reacção levanta a cabeça na América Latina e Caraíbas, é necessário sublinhar o extraordinário significado do processo de integração latino-americano e caribenho impulsionado por Cuba socialista e pela Venezuela bolivariana, por Fidel Castro e Hugo Chávez, processo de cooperação e soberania que os EUA estão apostados em reverter e destruir.
Como está bem patente na agressão à Venezuela e sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro, e na imposição de medidas coercivas que procuram atingir, e já estão a atingir, dolorosamente o povo cubano.
A história está cheia de exemplos do valor da solidariedade para com povos que resistem e lutam contra as ingerências e agressões do imperialismo.
Pela nossa parte não esquecemos a solidariedade de Cuba com a nossa Revolução de Abril, não esquecemos o criminoso atentado bombista contra a Embaixada de Cuba em Lisboa, que vitimou dois diplomatas – atentado cujos 50 anos se assinalam no próximo dia 22 de Abril –, não esquecemos a importância da visita de Fidel a Portugal aquando da realização no Porto da VIII Cimeira Ibero-Americana, em 1998, e as manifestações de solidariedade para com a Revolução cubana que então tiveram lugar.
É por este caminho de amizade e solidariedade recíproca entre o povo português e o povo cubano, de aprofundamento das relações entre Portugal e Cuba, que temos de continuar.
Aqui reafirmamos que podem contar com o empenho do PCP para prosseguir e reforçar este caminho.
Estamos confiantes que o povo cubano, unido em torno do Partido Comunista de Cuba, está a encontrar as soluções e os caminhos para superar todas as dificuldades e prosseguir a sua Revolução.
Como afirma o camarada Miguel Díaz-Canel : "Lutaremos, resistiremos, nos esforçaremos, transformaremos e, acima de todas as adversidades e ameaças imperiais, nos ergueremos e triunfaremos!". "O Poder Popular é, em essência, a certeza de que nenhum problema é grande demais se enfrentado com união, solidariedade e confiança em nossa própria força."
É essa força própria dessa Revolução e desse povo Cubano que saudamos.
Cuba não está só, ela tem a solidariedade de todos os que anseiam e intervêm por um mundo mais justo, de paz e progresso social.
Cuba vencerá, com a coragem e dignidade do povo cubano e a solidariedade dos povos do mundo.



