Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Comício comemorativo do 91º aniversário do PCP, Comício comemorativo do 91º aniversário do PCP

O partido que esclarece, mobiliza e une, mostrando a força imensa da luta para transformar a sociedade

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Comemoramos o 91º aniversário do nosso Partido num momento em que a luta e o protesto dos trabalhadores portugueses e do nosso povo contra as bárbaras medidas do Pacto de Agressão e das políticas do governo do PSD/CSD assume uma crescente amplitude e combatividade.

Celebramos o aniversário a dias da realização de uma Greve Geral. Uma Greve Geral decidida pela CGTP-IN já para o próximo dia 22 deste mês. Uma Greve Geral que dá expressão a esse forte sentimento de indignação e descontentamento com o actual rumo do país e com as medidas de ataque aos direitos dos trabalhadores e que esteve bem patente na histórica manifestação do Terreiro do Paço do mês passado, onde os trabalhadores do distrito do Porto tiveram uma participação extraordinária.

Comemoramos, por isso, o aniversário do nosso Partido com os olhos postos nas tarefas do desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo e, particularmente nas tarefas que conduzam ao êxito dessa que, desejamos que seja uma grande Greve Geral dos trabalhadores portugueses e de todos os que estão a sofrer as consequências desta política.

Uma Greve Geral que reclama dos militantes e organizações do Partido um esforço e um empenhamento redobrado na mobilização. Todas as greves gerais precisam de nós. Esta precisa mais!

Uma Greve Geral que será mais um importante contributo para o isolamento social e político do governo e mais um decisivo passo em frente no caminho do enfraquecimento e da derrota da sua política do Pacto de Agressão.

Uma Greve Geral que os grandes interesses desejariam e tudo fazem para desvalorizar e até esconder, mas que estão confrontados com a determinação dos trabalhadores e de um povo que não estão dispostos a cruzar os braços perante a exploração e a injustiça.

Comemoramos o aniversário do Partido num tempo de grande exigência que reclama muita disponibilidade revolucionária, muita capacidade de organização e um Partido Comunista determinado.

Um Partido à medida da sua história. Deste Partido com uma história sem paralelo em defesa da liberdade, da democracia, pelo socialismo, ligando gerações de intrépidos combatentes, travando pequenas e grandes lutas e sempre presente nos momentos decisivos da vida do nosso país.

São muitas hoje as razões dos trabalhadores e do conjunto do nosso povo para se opor a uma política, a um governo e a um Pacto de agressão que estão a conduzir o país para uma situação cada vez mais insustentável.

Desde logo a severa política de austeridade com o corte nos salários, nas reformas e pensões, o aumento dos impostos e dos preços de todos os serviços e bens essenciais que está a conduzir a uma redução violenta do poder compra dos trabalhadores e das classes e camadas populares, que na expressão de um dirigente da direita visa, em 2 anos, fazer recuar as condições de vida do povo 20 anos!

A brutal ofensiva contra os direitos laborais conquistados por gerações de trabalhadores, com as propostas de alteração ao Código de Trabalho que têm como objectivo forçar os trabalhadores a trabalhar mais por menos dinheiro; reduzir o pagamento de horas extras e do trabalho em dias de descanso e a tentativa de alargamento do horário de trabalho; a imposição do banco de horas; a facilitação dos despedimentos e a redução das indemnizações; a destruição da contratação colectiva, dos direitos sindicais e da segurança social.

Um projecto de alteração radical das relações laborais que o governo pretende estender também aos trabalhadores da Administração Pública com a revisão do Regime de Trabalho em Funções Públicas.

Um pacote de medidas que é um novo e qualificativo salto na ofensiva por parte do governo contra o mundo do trabalho com o patrocínio do Presidente da República e apoio cúmplice do PS.

Uma ofensiva assente na mentira e da mais grosseira. Justificam as medidas com a competitividade da economia e até o aumento do desemprego. Velhas e recorrentes mistificações que visam ocultar o verdadeiro objectivo destas alterações: o aprofundamento da exploração do trabalho sobre todos, mas particularmente as novas gerações!

É esta ofensiva assente na falsidade que é preciso derrotar, dando força à luta e à Greve Geral!

Mas se esta é razão forte, a ofensiva é vasta e as razões da luta são múltiplas. Com este governo e este Pacto todos os interesses populares são postos em causa. Não há ponta por onde se lhe pegue!

Na saúde a ofensiva é escandalosa e atinge de forma dramática as populações. Além dos aumentos dos custos para os utentes, da falta de médicos de família que, aqui no Porto, significa mais 200 mil inscritos sem médico, são os cortes cegos no financiamento da saúde que estão a determinar a degradação do serviço prestado, ou mesmo o encerramento de serviços como acontece com serviços de urgência de proximidade. Os exemplos sucedem-se, também aqui neste distrito: redução do horário de funcionamento do SASU de Gondomar. Diminuição do horário de funcionamento dos Serviços de Atendimento Urgente de Penafiel e Paredes, o primeiro resultado visível da aplicação no Agrupamento de Centros de Saúde do Tâmega e Sousa de um conjunto de medidas que visam adaptar aqueles serviços de saúde à redução das horas extraordinárias em cerca de 40%; ou ainda a redução de horário de funcionamento no Centro de Saúde de Arcozelo, em Gaia.

É preciso travar este ataque miserável contra o SNS e à política que está a transformar a saúde num negócio.

Na Educação, é o despedimento de professores, a desqualificação da profissão docente, a deterioração das condições de ensino e o aumento dos custos para as famílias em todos os níveis de ensino.

É também por isto que a hora é de mobilização para luta!

No sector dos transportes é o direito à mobilidade das populações que é posto em causa. É o direito ao transporte público que se ataca, como acontece aqui no Porto com a redução de carreiras da STCP e os aumentos incomportáveis no preço dos transportes, incluindo no Metro. São igualmente os cortes nos passes sociais para estudantes e idosos, enquanto se anuncia a intenção do governo fundir o Metro do Porto e a STCP.

Trata-se de criar com esta política de aumento brutal dos preços e de fusão das empresas as condições para a sua privatização à custa das populações, mas também à custa dos trabalhadores.

Vemo-los a utilizar a dívida das empresas públicas como justificação para a necessidade da sua privatização!

Escondem, contudo, que as dívidas são o resultado das políticas seguidas pelos sucessivos governos dos últimos anos em relação aos investimentos em infra-estruturas.

Foi assim, por exemplo, com a construção do Metro do Porto e toda a modernização da infra-estrutura ferroviária nacional nos últimos vinte anos. Investimento público, que foi garantido com o recurso ao financiamento por parte das empresas públicas.

E em relação ao real problema da articulação, não é com a privatização que se resolve, mas com outra política que tenha as populações e os seus interesses no centro das opções da política de transportes e com o funcionamento efectivo da autoridade metropolitana de transportes.

A troika do FMI e União Europeia, o governo e os grandes interesses querem impor em Portugal que as empresas de transportes sejam financiadas a 100% pelos utentes, objectivo que não se pratica em qualquer outro país Europeu!

Mas no plano dos transportes não são apenas os transportes públicos que estão na mira do governo e do grande capital. São também os equipamentos estratégicos do país, como é caso do Porto de Leixões. Um porto que representa actualmente cerca de 25% do tráfego do comércio externo português. Também a aqui a perspectiva é a da constituição pelo governo de uma holding para proceder à gestão dos portos, incluindo do porto de Leixões, com o objectivo de os entregar a grandes grupos económicos.

Perante isto, os eleitos e dirigentes distritais do PS, PSD e CDS, procuram desviar atenções do real comprometimento dos seus partidos com o Pacto de Agressão, e propagandeiam posições alarmistas sobre a perda de autonomia do porto de Leixões. Uma campanha que os grandes interesses económicos aqui sediados ampliam.

Argumentam com “defesa do Norte” e a expansão da influência do Porto de Leixões, mas disfarçando mal que são os seus próprios interesses que estão em causa e não a defesa do interesse geral.

Escondem que o interesse do Porto e do Norte não é o interesse dos grupos económicos sedeados no Porto ou no Norte. Os interesses do norte são os de quem cá vive e trabalha, são os interesses do país e isso exige, como defendemos uma gestão pública e integrada do sistema portuário nacional, que tenha em conta especificidades e potencialidades desta região.

Mas olhem os portugueses para onde olharem encontram um governo sedento de desforra contra os trabalhadores e as populações.

É assim no poder local, objecto de uma vasta ofensiva que, inseparável do processo de eliminação de serviços públicos, visa a subversão dos elementos mais progressistas do poder local, a liquidação de centenas de freguesias e a asfixia financeira das autarquias, comprometendo as condições de vida das populações.

É assim no sector da habitação, com a aprovação de uma lei dos despejos que lançará para a rua milhares de famílias, em particular as com menos rendimentos e os idosos. No distrito do Porto há cerca de 170 mil prédios arrendados, 170 mil potenciais famílias em risco com a Lei!

Alterações que terão consequências não menos devastadoras para o pequeno comércio. Eliminado o direito ao trespasse, sufocados pelas grandes superfícies, com o aumento das rendas, querem acabar com o resto.

Tal como repetidamente o PCP alertou, o Pacto de Agressão está a traduzir-se numa espiral de aprofundamento da exploração, de extorsão de recursos públicos, de maior endividamento, de alastramento do desemprego e de degradação geral das condições de vida das populações.

A recessão e o desemprego atingem níveis recorde. A situação é sempre pior do que a prevista e anunciada pelo governo e pela troika estrangeira.

A queda do PIB prevista para o presente ano é já o dobro da anunciada quando da assinatura do Pacto. Uma situação que revela um caminho de afundamento económico que a não ser interrompido se prolongará por vários anos.

Dados do Ministério da Justiça que não abarcam todo o ano de 2011 dizem-nos que desapareceram perto de 40 000 empresas neste ano.

Em relação ao desemprego vivemos uma situação de calamidade social. Os últimos dados divulgados fixavam a taxa de desemprego em 14,8% e que em termos absolutos significa mais de um milhão e duzentos mil desempregados.

Uma situação que atinge de forma violenta os desempregados de longa duração e as novas gerações.

Uma grande parte dos quais além de sofrerem as penosas consequências do desemprego, foram confrontados nos últimos tempos com medidas de redução do valor e do tempo do subsídio de desemprego, tornando ainda mais precárias as suas vidas.

A esta política de descalabro económico e social a troika dá nota positiva e o governo orgulhoso rejubila!

Estranha avaliação e estranho contentamento. Tudo vai bem, se o país e o povo estiverem piores!

Eles não olham para a realidade nacional, nem estão cá para dar resposta aos problemas, mas apenas para garantir os interesses dos credores, dos mega bancos e dos senhores do dinheiro, dos especuladores e a concretização das políticas monetaristas do Pacto do Euro que os servem, nomeadamente do critério do défice das contas públicas, erigido como o problema central da vida do país.

Por isso, saíram dizendo “são precisos esforços adicionais”, preparando o terreno para novas investidas contra o povo e o país e sob a falsa capa da preocupação da dinamização da economia a dar o aval a medidas de transferência de milhões para a banca.

Sim, camaradas, dizem que não há dinheiro, mas ele aparece sempre quando se trata de assegurar os interesses da banca e dos banqueiros e dos grandes grupos económicos.

Só nestes últimos três meses, em duas operações do BCE estima-se que foram entregues à banca nacional cerca de 37 mil milhões de euros. Um empréstimo a juros de 1%. Grande negócio!

Apesar de toda esta injecção de dinheiro à Banca o financiamento continua a não chegar à economia e designadamente às PME.

A Banca prefere aplicar estes milhões nas actividades especulativas mais rentáveis. E o governo e o Banco de Portugal nada fazem, a não ser ficarem na postura de subservientes e reverentes.

Veja-se a contradição: a Banca financia-se directamente, ilimitadamente no BCE dando como garantia Títulos do Estado, a 1% por três anos e nada lhe é exigido quanto à aplicação desses milhões.

O Estado por sua vez não se pode financiar directamente no BCE. É financiado pela Troika onde está o BCE, a juros agiotas de 5% e mais e é-lhe exigido um programa draconiano de medidas concretas e específicas.

É um escândalo!

E porquê? Porque em relação aos Estados quem vai pagar a factura são os contribuintes.

Se fosse na Banca seriam os banqueiros e os accionistas e nestes não se toca!

O Governo e os partidos da troika justificam os cortes e os roubos aos direitos, aos salários, às pensões e reformas de trabalhadores e reformados com o facto de não haver dinheiro, procurando dar a ideia de que na penúria em que estamos, os sacrifícios são para todos.

Mas na verdade, e mesmo sem contarmos os escandalosos benefícios fiscais que privilegiam o sector financeiro e os grandes grupos económicos, mesmo esquecendo que, se fossem aprovadas as propostas do PCP para tributar justamente quem mais pode e quem mais lucra, mesmo assim, são muitos os milhões que por aí andam a encher os bolsos dos mais ricos.

São desde logo os mais de 35 mil milhões a pagar de juros pelo empréstimo da troika, dos quais 12 mil milhões estão disponíveis para a banca. Só para se ter uma ideia do que isto significa, já que os números são muitos grandes, 35 mil milhões de euros é a estimativa de toda a receita fiscal para 2012; daria para pagar todos os salários de trabalhadores da administração pública, seja central, local ou regional durante 4 anos.

Já os 12 mil milhões de euros disponibilizados à banca, para que não tenham os accionistas - eles que receberam os lucros - que pôr dos seus capitais, são mais do que todas as pensões pagas pela segurança social aos reformados portugueses.

Mas há mais dinheiro por aí. Por exemplo os 8 mil milhões de euros que, entre pagamentos e garantias, já estão empenhados pelo Estado, directamente ou através da Caixa Geral de Depósitos, no BPN. Esses 8 mil milhões de euros chegariam para pagar durante 4 anos a comparticipação a 100% – isto é, a gratuitidade – de todos os medicamentos receitados em ambulatório em todos os hospitais e centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Já os 450 milhões de euros já pagos no processo do BPP são aproximadamente a mesma verba retirada desde 2010, anualmente no abono de família e no rendimento social de inserção, em conjunto.

Entretanto, o mesmo governo que corta nas verbas para o Serviço Nacional de Saúde, entrega 320 milhões de euros em 2012 às parcerias público-privadas na saúde; é um valor quase 14 vezes superior a todo o investimento público do Ministério da Saúde em 2012, que é só de uns míseros 23 milhões de euros.

E se provas faltassem da submissão deste governo e dos anteriores aos interesses do lucro privado, aí estão dois casos, de entre outros que poderiam ser referidos, a demonstrar isso mesmo.

Primeiro, o caso da Lusoponte em que, como se não bastasse o contrato altamente favorável, assinado pelo último Governo Cavaco Silva, chegou-se ao cúmulo de o Governo pagar a compensação à empresa por não haver portagens em Agosto, 4,4 milhões de euros, mesmo depois de esta ter recebido as portagens em 2011. Bem pode Passos Coelho dizer de forma trapalhona que não sabe o que se passa; o certo é que a Lusoponte recebe duas vezes e já avisou que não devolve.

Depois a velha questão das contrapartidas do equipamento militar, denunciada mais uma vez esta semana na Assembleia da República pelo PCP, onde dos mais de 3 000 milhões previstos, só 800 foram concretizados. O país ficou assim a perder mais de 2 200 milhões de euros, com a conivência de vários governos, incluindo o actual. É uma verba que é 3 vezes mais do que a totalidade do investimento previsto no Orçamento do Estado para 2012 e que muita falta faria à nossa economia. Alguém se arrecadou!

É preciso uma ruptura nesta marcha de cega submissão aos grandes interesses económicos e financeiros.

Uma ruptura que implica a rejeição do Pacto de Agressão e a derrota das políticas que o acompanham.

É por tudo isto que a hora é de mobilização para luta, mas também por uma alternativa, porque o que se impunha perante a actual situação do país era fazer exactamente o contrário do que faz o governo e do que consta nesse ilegítimo Pacto de Agressão.

Era realizar uma política de valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos seus salários, direitos e condições de vida, não apenas por uma questão de justiça social, mas como elemento central de uma política visando a dinamização da economia do país e o crescimento económico e o emprego e potenciar o aproveitamento do mais importante recurso nacional – a capacidade criativa e produtiva de milhões de trabalhadores.

Uma política alternativa – patriótica e de esquerda - que contraponha às privatizações, o assegurar da recuperação e controlo dos sectores básicos e estratégicos nacionais.

O País e os portugueses precisam de uma nova política ao serviço do povo e dos interesses nacionais e de um governo patriótico e de esquerda, capaz de assegurar uma nova fase da vida do País.

Uma nova politica e um governo que assuma a reposição dos direitos retirados aos trabalhadores e ao povo e empenhado em construir um Portugal de progresso e de justiça.

O país e os portugueses precisam de uma política que contraponha ao Pacto de Agressão, a solução da imediata renegociação da dívida pública – envolvendo prazos, taxas de juro e montantes – numa atitude que combata a sujeição do país às imposições da especulação financeira e da rapina dos recursos nacionais e abra espaço ao relançamento do desenvolvimento do país.

Este ano, realiza-se o XIX Congresso do nosso Partido. Um Congresso que precisamos de preparar a máxima atenção, ao mesmo tempo que precisamos dar resposta aos múltiplos problemas que uma situação política exigente como a que vivemos nos está a colocar. Tem de ser uma preparação em movimento.

Mas um Congresso do PCP tem características e exigências distintas que, independentemente do quadro vasto de solicitações que temos pela frente, não podem ser subestimadas.

Um Congresso do PCP é um momento alto e muito importante da vida partidária que exige o envolvimento empenhado, a participação e contributo das organizações e militantes do Partido. Vamos assim iniciar um período em que todos nós vamos ser chamados a fazer um balanço do trabalho, proceder à análise, ao debate e a tomar decisões da mais alta importância para a vida do PCP e para a sua intervenção em todos os domínios.

A primeira fase de preparação do nosso Congresso acaba de ser aberta pelo Comité Central. Inicia-se agora um processo com várias fases que nos levará no final do ano ao apuramento das propostas a serem submetidas à apreciação e aprovação dos delegados ao XIX Congresso.

O Congresso é chamado a proceder à análise da situação nacional, dos desenvolvimentos do processo de integração capitalista na União Europeia e da situação internacional, em si mesmo inseparáveis do agravamento da crise estrutural do sistema capitalista.

Colocando o reforço do PCP, da sua organização, da sua acção e iniciativa, da sua influência política e ideológica, como objectivo essencial, o XIX Congresso será chamado a discutir e definir as orientações, direcções de trabalho e tarefas indispensáveis para a concretização desse objectivo.

No actual quadro nacional e internacional, o XIX Congresso assume um grande significado e projecção, na análise e resposta à situação para a defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, para a rejeição do Pacto de Agressão, para a ruptura com a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda, pela democracia avançada e o socialismo, numa afirmação confiante dos valores, ideal e projecto do PCP.

O Comité Central apontou um conjunto de elementos para a discussão nas organizações, já nesta primeira fase que decorrerá até meados de Maio, tendo em vista a posterior elaboração das Teses – Projecto de Resolução Política.

O Comité Central apontou como tarefa do XIX Congresso proceder a alterações do Programa do Partido e definiu linhas de orientação para essas alterações que vão ser discutidas nesta primeira fase em todo o Partido.

Neste âmbito, sublinha e reafirma a actualidade, objectivos e propostas fundamentais integrantes do Programa do Partido aprovado no XIV Congresso em 1992, correspondente à actual etapa histórica, no qual se inscreve a luta por uma Democracia Avançada como parte integrante e constitutiva da luta dos comunistas portugueses pelo socialismo.

O Programa do nosso Partido revelou-se de uma grande profundidade e sentido de futuro. Define e afirma um projecto político de grande actualidade e alcance, e as alterações do seu conteúdo, devem ser feitas a partir do texto actual e da sua orientação estratégica, para enriquecer a análise e a definição, tendo em conta a evolução verificada no País e no mundo, desde a sua aprovação até aos dias de hoje.

Na denominação do actual programa «Portugal: uma democracia avançada no limiar do século XXI» aponta-se a etapa histórica actual que o PCP propõe ao povo português. O Comité Central considerou que a expressão «no limiar do século XXI» deve ser substituída por elementos que acompanham a afirmação da Democracia Avançada – a etapa actual de luta –, dando mais visibilidade à sua inspiração nos valores de Abril e à sua projecção e consolidação no futuro de Portugal. É neste desenvolvimento que o Comité Central aponta para que no futuro o programa passe a ser denominado: «Uma Democracia Avançada – Os valores de Abril no futuro de Portugal».

Valores que são o que de mais avançado, progressista e revolucionário foi realizado pela classe operária, os trabalhadores e o povo português. Valores que integram aspirações, revolução, conquistas e participação dos trabalhadores e do povo.

A consideração e discussão das propostas de alteração ao Programa do Partido constituem uma grande oportunidade para um debate profundo no colectivo partidário e uma projecção junto do povo português, não apenas dessas propostas, mas essencialmente do projecto político que o Programa do PCP traduz.

Neste quadro de preparação do XIX Congresso e exigente intervenção na vida do país e da luta do nosso povo o reforço do PCP, partido necessário, indispensável e insubstituível, é da maior importância.

Reforço com a responsabilização e assunção de responsabilidades por mais quadros; com o fortalecimento da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho; com maior atenção ao trabalho junto das classes e camadas sociais anti-monopolistas; com a dinamização das organizações de base, a ligação aos trabalhadores e às massas populares; com uma intervenção intensa na batalha ideológica; com a intensificação da propaganda e da divulgação da imprensa do Partido; com o trabalho de recolha de fundos para o Partido.

Reforço do Partido que passa pela adesão de novos militantes e a sua integração partidária, concretizando a campanha de 2000 novos membros do Partido até Março de 2013. Neste tempo exigente, daqui apelamos a todos os que estão preocupados e inquietos e querem lutar consequentemente, para que adiram ao Partido Comunista Português, para que juntem a sua à nossa voz.

Um apelo muito particular à juventude que daqui saudamos. Juventude que tem na JCP, a organização da juventude comunista portuguesa, o instrumento de combate necessário e imprescindível na defesa das suas mais genuínas aspirações.

Um apelo e uma saudação muito especial às mulheres portuguesas que esta semana comemoraram o seu Dia Internacional e que se assumem como sujeitos activos na luta contra o Pacto de Agressão que representa também um inaceitável ajuste de contas com os seus direitos específicos e a sua luta emancipadora. Uma luta que tem nas mulheres comunistas e no seu Partido o mais destacado e coerente aliado.

Como em outras fases da luta do povo português, neste ano do seu 91º aniversário e de realização do seu XIX Congresso, o PCP marca a diferença.

Somos um Partido com uma história ímpar. O Partido Comunista Português é a grande força da liberdade e da democracia no nosso País. E assim é pela sua história heróica de resistência ao fascismo, pelo contributo decisivo que deu para a Revolução de Abril e a construção do regime democrático, pela sua acção nas últimas décadas na resistência à política de direita.

Somos um partido independente, com a sua natureza de classe, o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, o partido da juventude, aquele que melhor defende os interesses e aspirações de todas as classes e camadas anti-monopolistas e com que o povo sempre pode contar.

Somos um partido coerente. O partido da verdade, que não cede a pressões e chantagens, aprende com a vida e segue determinado na afirmação da sua identidade comunista. Um partido com importantes valores éticos e morais. O partido cujos militantes deram provas sem paralelo de abnegação, recusando e combatendo favores e benefícios.

O partido que alertou e preveniu, a partir das suas análises, para as consequências da política de direita, para as privatizações e a reconstituição do capitalismo monopolista e o seu domínio sobre a vida nacional. O partido que alertou para as consequências da integração e do rumo da CEE/UE, para o que significaria a adesão ao euro e todo o seu rasto de devastação económica e social, para o comprometimento da soberania nacional.

O partido que contribuiu e contribui para construir uma vida digna e melhor. O partido cujos militantes no poder local e outras instituições, no movimento popular e aos mais diversos níveis agem para a resolução dos problemas dos trabalhadores e das populações, para a concretização das suas aspirações.

O partido que promove a participação e a luta. O partido que alerta, esclarece, mobiliza e une, mostrando a força imensa da luta de massas para transformar a sociedade. Único partido que não descansa com as vitórias mas não desanima nem quebra com as derrotas!

O partido que propõe soluções para os problemas que enfrentamos, que promove a rejeição do Pacto de Agressão, a ruptura com a política de direita e a exigência de uma política patriótica e de esquerda, dum Portugal mais desenvolvido, mais justo e soberano. Partido patriótico e internacionalista.

O partido portador de um projecto de futuro. O partido portador das soluções e do projecto alternativo, contra o capitalismo, pela democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Que pensa pela sua cabeça, que tem uma experiência própria!

O PCP, partido que intervém com uma confiança inabalável assente na sua história, no seu projecto e na sua força, é o partido a que vale a pena pertencer. É o Partido a que todos nós, militantes comunistas, temos o orgulho imenso de pertencer, assumindo hoje o legado que nos foi deixado por sucessivas gerações de comunistas e assumindo o compromisso de o legar assim – Partido Comunista, Revolucionário, Marxista-Leninista – às gerações futuras.

Aos que proclamam que temos que saber viver sem direitos, a viver sem esperança, a viver sem luta, dizemos e reafirmamos! Nem pensem! Temos Partido não só para resistir, mas para avançar, que é portador daquela esperança que não fica à espera e que caldeada na luta concreta torna o sonho realidade, sempre, sempre com os trabalhadores e o povo.

Viva o 91º Aniversário

Viva a JCP

Viva o Partido Comunista Português