Os dados do RASI não permitem concluir que o País está mais inseguro, como sistematicamente a extrema-direita repete até à exaustão. Esta retórica procura tão somente exacerbar o medo junto das populações, para que estas estejam disponíveis para aceitar ataques aos direitos, liberdades e garantias.
Quer isto dizer, que está tudo bem? Não está! Nem desvalorizamos os sentimentos de insegurança, que resultam sobretudo do desinvestimento no policiamento de proximidade, que não se resolve com o encerramento de esquadras da PSP, mas sim com o investimento nas instalações para que disponham das condições adequadas para os profissionais, e na valorização das carreiras, das remunerações e na garantia das condições de trabalho dos profissionais das forças de segurança, para que a profissão seja atrativa e para que mais jovens possam fazer esta opção.
Tal como não desvalorizamos sentimentos de insegurança associados ao consumo de droga em determinadas zonas, mas que mais do que um problema de polícia é um problema social que requer uma intervenção multifacetada sob pena de o único resultado seja a deslocalização do problema.
Perante tudo isto, até ao momento o Governo não deu concretização plena ao acordo estabelecido com as associações sindicais em 2024 (dignificação das carreiras, valorização remuneratória, reestruturação dos suplementos e avaliação), o que revela a falta de vontade política em dar resposta aos problemas identificados, e ao não o fazer o Governo é responsável pela degradação das condições de trabalho.
Mais uma vez o RASI demonstra a enorme carência de efetivos das forças de segurança. Na PSP a situação é muito grave. Mesmo com o incumprimento do estatuto e retenção de polícias além dos 55 anos na efetividade de funções, teve 458 entradas que contrasta com 895 saídas, resultando num saldo negativo na ordem de 450 efetivos num só ano. Para haver policiamento de proximidade, junto das populações, são precisos mais meios.
De acordo com o RASI, pode-se afirmar que há uma consolidação dos valores da criminalidade participada, com cerca de 360 mil participações que parecem estar ligadas a crimes de menor gravidade.
Quanto à criminalidade violenta e grave, depois de uma tendência de subida residual, há uma descida também residual, assim como a criminalidade grupal e delinquência juvenil também tem uma descida residual.
O crime de violência doméstica continua com números muito elevados, o que exige o reforço da prevenção e do combate a este crime, assim como dos crimes de violação e de abuso sexual de crianças.
Neste relatório merece uma referência particular os crimes de tráfico de seres humanos, com um aumento substancial, que tal como é referido, não estará desligado do aumento da investigação nesta área, essencial para a sua prevenção e combate. Refere ainda que as vítimas do tráfico de seres humanos, era sobretudo tráfico laboral, o que comprova a exploração a que muitos imigrantes estão sujeitos.
Por último, a movimentação de grupos de extrema-direita e o aumento do incitamento ao ódio e à violência, em especial junto dos jovens, assume uma enorme preocupação, exige uma atuação atenta das autoridades policiais e coloca a exigência da defesa dos direitos e da democracia.







