O Secretariado do Comité Central do PCP expressa o seu profundo pesar pelo falecimento de Cândido Mota, militante comunista, e transmite às suas filhas, netos e restante família as suas sentidas condolências.
Cândido Soares Pinto da Mota, nascido em Espinho a 28 de Setembro de 1943, afirmou-se como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, cruzando uma carreira de excelência na rádio e televisão com um compromisso cívico e político inabalável. Militante do Partido Comunista Português (PCP) Cândido Mota tornou-se uma presença indissociável da Festa do Avante!, onde foi, durante mais de 35 anos, a voz anfitriã e o rosto do Palco 25 de Abril. Para os milhares de visitantes da Quinta da Atalaia, a sua voz tornou-se um símbolo de serenidade e entusiasmo.
Reconhecido pela sua voz Cândido Mota foi, não apenas um locutor de sucesso, mas um cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural. A partir de 1965, Cândido Mota afirmou-se como uma das vozes centrais do programa Em Órbita, que revolucionou o panorama musical nacional ao divulgar o melhor da música anglo-americana e, mais tarde, ao dedicar-se de forma didática à música clássica.
A sua consciência política manifestou-se cedo, tendo vivido por dentro o momento fundacional da democracia portuguesa ao encontrar-se nas instalações do Rádio Clube Português, posto de comando do Movimento das Forças Armadas, durante a Revolução de 25 de Abril de 1974, onde permaneceu durante vários dias ao lado de colegas como Luís Filipe Costa e Joaquim Furtado, assegurando a continuidade das emissões que informavam o País sobre a queda da ditadura.
Em 1979, alcançou uma popularidade massiva com o programa O Passageiro da Noite, na Rádio Comercial, um espaço pioneiro de antena aberta onde dava voz aos ouvintes. Entre 1986 e 1988 foi uma das vozes relevantes da Telefonia de Lisboa, uma rádio progressista onde Cândido Mota se notabilizou num programa de entrevistas chamado Rua do Mundo e na leitura de uma rubrica diária sobre canção política, da autoria de Rúben de Carvalho, intitulada Panfletos.
O seu papel como homem de cultura e militante estendeu-se a diversas iniciativas e tempos de antena do Partido, consolidando uma imagem de coerência entre a sua actividade profissional e as suas convicções ideológicas.
Na década de 1990, Cândido Mota iniciou uma colaboração icónica com Herman José na televisão.
Já na fase final da sua carreira, projectou programas que visavam combater o que considerava ser a "forma mais sinistra de censura" contemporânea — o conceito do politicamente correto — defendendo uma rádio que fosse espaço de dúvida, crítica e transmissão de incertezas, em oposição ao mero entretenimento passivo. Para Cândido Mota, a comunicação devia ser uma ferramenta didática, informativa e formativa, essencial para a educação e cultura do povo, um princípio que norteou toda a sua vida pública e cívica até à sua morte.
