Comunicado do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP no PE

União Europeia insiste na política de confrontação, militarismo e guerra.

União Europeia insiste na política de confrontação, militarismo e guerra.

Do denominado discurso do “Estado da União” da presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, ressalta a apologia da confrontação, do militarismo e da guerra e a prioridade dada à intensificação das políticas de favorecimento das multinacionais – com destaque para as do negócio do armamento – em contraste com o desprezo pelos problemas que afectam os trabalhadores e os povos, como o aumento do custo de vida, os baixos salários e pensões, as dificuldades de acesso à habitação, à saúde ou à educação, a pobreza.

 

A vertiginosa escalada belicista em que a União Europeia (UE) insiste está claramente reflectida no balanço feito por Von der Leyen e nas propostas que apresenta.

 

Gabando-se do aumento das despesas militares em quase 80% nos últimos cinco anos, a Comissão Europeia propõe o desvio de mais recursos financeiros da UE e dos Estados Membros para o negócio do armamento e da guerra, quer a partir do orçamento da UE em vigor, quer utilizando o próximo Quadro Financeiro Plurianual para o período de 2028 a 2034.

 

Insistindo no caminho da escalada armamentista e da guerra, aponta a produção e o envio de mais armamento e o reforço da política de sanções, continuando a instigar e a prolongar a guerra na Ucrânia, em vez de apontar um caminho que permita o fim do conflito e o assegurar da segurança colectiva na Europa.

 

Criando e acenando com as ditas “ameaças híbridas”, como pretexto para impor os propósitos belicistas da UE, Von der Leyen reafirma o reforço da natureza militarista da UE como pilar europeu da NATO e propõe mais mecanismos destinados a acentuar o poder das grandes potências europeias nesse âmbito, seja com a proposta de uma nova e dita “estratégia europeia de segurança”, a criação de um mecanismo de resposta às ditas “ameaças híbridas”, um dito “Protocolo de Segurança de Emergência” ou a criação de um denominado “Conselho Europeu de Segurança” envolvendo o Canadá, a Noruega, a Ucrânia e o Reino Unido.

Procurando impor um quadro que quer de “pensamento único”, Von der Leyen recupera velhos e estafados “papões” sobre supostos “inimigos externos e internos” para tentar estigmatizar e amordaçar quem ouse criticar e rejeitar a sua política de promoção da confrontação, do militarismo e da guerra e defender um caminho de paz e cooperação.

 

Face a importantes questões como as da produção, armazenamento e abastecimento energéticos, do acesso a matérias-primas ou da resposta aos problemas ambientais, o que a Comissão Europeia tem a propor são formas de transformar problemas económicos e sociais em oportunidades de negócio e mais iniciativas destinadas a aprofundar o domínio dos grupos económicos e das multinacionais. São disso exemplo as propostas relativas à revisão do Mercado Único, às “redes europeias de energia” e às “interligações energéticas”, de criação de uma denominada “Corporação Europeia das Matérias-Primas Críticas”, o pacote dirigido à concentração bancária e a designada “União das Poupanças e dos Investimentos” visando o assalto aos sistemas públicos de segurança social.

 

Em contraste, regista-se no discurso de Von der Leyen um desprezo absoluto pelos interesses dos trabalhadores e dos povos e a não resposta aos problemas que atingem as suas vidas, não havendo sequer vislumbre de referência a uma política que minimamente lhes corresponda.

 

Não se regista qualquer medida destinada a promover políticas de aumento de salários e pensões, de controlo dos preços e travagem do aumento do custo de vida, de investimento público no acesso à habitação, à saúde ou à educação, de apoio aos sectores produtivos e a estratégias de desenvolvimento da produção nacional, de promoção do investimento público e do reforço da capacidade de resposta e da qualidade dos serviços públicos.

 

Destaca-se ainda o anúncio da intenção de promover o Canadá a primeiro “membro associado” da UE, apesar desse estatuto não dispor de qualquer base ou enquadramento legal, bem como as referências à intenção de desenvolver a cooperação com aquele país em diversos domínios, incluindo a intenção de fazer do Ártico um “projeto conjunto de referência”. Declarações de Von der Leyen que são completamente contraditórias com a posição de submissão que a UE tem assumido perante os EUA.

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