A inovação é indiscutivelmente essencial para, como diz o relator, criar um sistema de transportes mais inteligente e mais seguro, assegurando uma mobilidade fácil, sustentável e segura.
Mas é pena que nos mais de sessenta parágrafos deste relatório se consiga passar por cima da realidade que hoje vive em muitos países.
Uma realidade marcada por um ataque sem par ao sistema público de transportes, como acontece em Portugal, pela mão das troikas, externa e interna.
Um ataque que levou nos últimos dois anos a um decréscimo da utilização do transporte público na ordem dos 20 por cento. Piorou a qualidade do transporte; diminuiu a segurança, a comodidade, a frequência, a rapidez; aumentou brutalmente o preço. Atacou-se o direito das populações à mobilidade. Promoveu-se o recurso ao transporte individual e, por essa via, o aumento dos consumos energéticos. Assim pondo em causa a sustentabilidade que este relatório diz defender.
E todavia, alguns dos que aprovam belas recomendações sobre mobilidade sustentável são os mesmos que sustentam e promovem esta ofensiva contra as populações e os transportes públicos.
Não deixarão de ser julgados pelas suas contradições.