Como é público, a Administração da CP efetuou um conjunto de alterações à circulação ferroviária em Lisboa. Por essas alterações, que em muito prejudicam as populações do Distrito de Lisboa, foram apontados os rodados do material circulante, que estariam a acusar um desgaste muito superior ao normal.
Ora, a Administração da CP garantiu por um lado que o problema estará resolvido num mês e por outro garantiu não saber exatamente qual o problema. Ou seja, não sabe qual o problema mas já o está a resolver.
Os utentes do transporte público – e nomeadamente da CP na Linha de Sintra – têm manifestado a sua indignação e desagrado, quanto à situação inaceitável de degradação da qualidade do transporte, particularmente com o quadro de sobrelotação e falta de condições de conforto e segurança resultante da substituição do material circulante nas ligações Sintra/Lisboa
(Rossio), desde o passado dia 18 de novembro.
A opção de substituir as composições habituais (duas unidades quádruplas acopladas) por comboios de dois pisos, com apenas quatro carruagens, e cada uma com apenas duas portas (da chamada série 3500), está a ser fortemente criticada pelos utentes devido às impraticáveis condições em que os passageiros são transportados. São transmitidos relatos que dão conta da
dificuldade que os revisores têm em reentrar nos comboios, depois de saírem para as plataformas nas estações, e também de frequentes situações de passageiros que se veem obrigados a desembarcar devido a casos de doença súbita, indisposição, etc.
Nas condições atuais, são fortemente penalizados os utentes das estações intermédias da Linha de Sintra, mormente dos que moram na Amadora, mas de uma maneira geral os passageiros estão a ser transportados de uma forma completamente desadequada. Tal como foi aliás referido por este utente, esta situação faz recordar – nomeadamente às gerações que as
viveram – as lamentáveis condições em que se viajava na Linha de Sintra na década de 1960.
Fomos contactados por um utente daquele serviço, que nos relata a situação em que não conseguiu tampouco embarcar no comboio. E as palavras que este cidadão nos transmite são impressivas e justificam aliás que se faça aqui a sua citação: «mesmo que tivesse conseguido entrar no comboio, viajaria como em outras ocasiões, em condições desumanas, de pé, apertadíssimo, sem sequer poder tirar um lenço do bolso sem ter que pedir licença a outrospassageiros. Com o passe muitíssimo mais caro, com as condições de transporte assim degradadas, será que tudo isto se insere no famoso "ajustamento"? Aqui há dias, falei com um
revisor da CP, que, ele próprio, manifestou o seu profundo desagrado com as suas condições de trabalho, já que viaja "espalmado" com o vidro da porta, sem poder fazer mais que abrir e fechar portas. E se houver um problema grave no interior do comboio? Alguém refletiu acerca das questões de segurança?»
De acordo com as comunicações do “Núcleo Pós-venda da CP Lisboa/Apoio ao Cliente”, a empresa CP responde aos utentes que se insurgem contra esta inaceitável situação, apresentando um insólito conselho, de «para maior comodidade na viagem, que sejam utilizadas as últimas carruagens do comboio, no sentido da sua marcha, assim como, os espaços disponíveis nos corredores dos pisos superior e inferior», acrescentando ainda que «esta solução é temporária e a CP está atenta a toda esta situação, envidando todos os esforços para que seja reposta a normalidade o mais rapidamente possível».
Subsiste portanto a questão incontornável da solução concreta que tem de ser dada a este problema e do compromisso claro quanto ao momento em que essa solução seja concretizada de uma vez por todas, com a reposição do material circulante utilizado naquela linha. Por outro lado, esta situação é indissociável do contexto de desinvestimento e degradação das condições de trabalho na manutenção do material circulante e da própria infraestrutura ferroviária, que tem suscitado os reiterados alertas dos trabalhadores e suas organizações, e também do PCP na sua intervenção.
Assim, ao abrigo do disposto na alínea d) do Artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e em aplicação da alínea d), do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, perguntamos ao Governo, através do Ministério da Economia,
o seguinte:
1.Que razões levaram a esta intervenção não programada, que esteve na origem desta alteração no material circulante na Linha de Sintra?
2.Em que momento estará afinal concluída esta intervenção e quando serão repostas as composições das séries 2300 e 2400 nesta linha?
Pergunta ao Governo N.º 587/XII/3
Sobrelotação e falta de condições de conforto e de segurança com a substituição do material circulante nas ligações Sintra/Lisboa (Rossio)
