Declaração de João Pimenta Lopes, Deputado no Parlamento Europeu

Sobre o discurso do Estado da União, da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen

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Assistimos ao discurso da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, sobre o chamado “Estado da União”. 

Bem se pode dizer que se tratou de um discurso de defesa dos interesses das grandes  potencias europeias e dos grandes grupos económicos que representa. 

Sobre a guerra na Ucrânia, nem uma palavra com vista a uma necessária solução negociada  para pôr termo a uma guerra que não devia ter começado e para repor a Paz. 

Reconhecendo o pesado impacto e consequências das sanções, não deixou de fazer a apologia  da guerra, insistindo num caminho que os povos estão a pagar com língua de palmo. 

Aludindo à crise energética de há 50 anos, fez por esquecer que então os salários cresceram  acima da inflação.  

Nem uma palavra para a imperativa necessidade de aumentar salários para contrapor ao  brutal aumento do custo de vida.  

Sugerindo uma intervenção sobre os superlucros, que o sacrossanto mercado possibilita, nem  uma palavra para medidas efectivas e definitivas de regulação do mercado, de contenção de  preços na energia e outros sectores, medidas aliás desaconselhadas pela própria Comissão.  As consequências visíveis da liberalização exigem a recuperação do controlo publico de sectores estratégicos como a Energia.  

À necessidade de investimento, opõe o decalque da proposta alemã do Pacto de Estabilidade  e Crescimento, apertando o garrote às opções de desenvolvimento de Estados, que se terão  que vergar ainda mais aos ditames da UE. 

Tão pouco uma palavra sobre a decisão do BCE de aumento das taxas de juro e dos impactos  brutais previsíveis sobre Estados como Portugal limitando condições de investimento e sobre  as famílias, com impactos com particular incidência na habitação.  

A UE insiste na defesa a todo o custo do mercado, mesmo que sufocando os povos e  deixando-os à mingua, impondo, em favor dos lucros de alguns, maiores desigualdades,  pobreza e assimetrias. 

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