Comunicado do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP no PE

Sobre os 40 anos de Portugal na CEE/UE

Sobre os 40 anos de Portugal na CEE/UE

No momento em que se assinalam 40 anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (posteriormente transformada em União Europeia), Portugal é marcado por impactos profundamente negativos em consequência desse percurso de integração iniciado em 1986, bem como por novos riscos e ameaças para sa condições de vida do povo e o futuro do País que resultam de opções que estão a ser actualmente adoptadas no âmbito da União Europeia.

As políticas neoliberais, federalistas e militaristas da União Europeia (UE) contribuíram para uma crescente dependência externa de Portugal, para a manutenção, e mesmo o agravamento, de assimetrias face a países economicamente mais desenvolvidos, para perda de controlo nacional de empresas e sectores estratégicos, para o agravamento de défices estruturais, para a perda de instrumentos fundamentais de soberania, com a transferência de capacidade de decisão para a esfera da União Europeia.

As actuais orientações políticas assumidas pela UE acentuam aqueles impactos negativos e constituem riscos acrescidos para o povo e o País, o que é evidente em decisões tomadas recentemente que desprezam os problemas económicos e sociais que atingem a vida dos trabalhadores e dos povos, que têm omnipresente a apologia e a promoção do militarismo, da escalada armamentista e da guerra como critério transversal às políticas da UE, que acentuam o favorecimento dos grupos económicos e financeiros, nomeadamente do negócio do armamento.

Opondo-se desde o primeiro momento a este caminho de abdicação nacional, o PCP não só nunca prescindiu de defender os interesses nacionais perante este processo de integração, como continuará a bater-se em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, pela afirmação da soberania e independência nacional, por um caminho de desenvolvimento económico e social que assegure a concretização dos direitos e das aspirações do povo português, contribuindo para uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e de paz.

Na verdade, a inserção de Portugal na CEE foi concebida e implementada como parte integrante do processo contra-revolucionário de recuperação monopolista que contrariou o caminho de justiça e progresso social, de desenvolvimento económico, de soberania e independência nacional, de paz e cooperação, conquistado e iniciado pelo povo português com a Revolução de Abril.

Alicerçando a política de direita realizada por sucessivos governos formados por PS, PSD ou CDS – que conta agora com o apoio de IL e Chega –, a inserção de Portugal na CEE, no Mercado Único e, posteriormente, na União Europeia – com a sua União Económica e Monetária, Euro e Pacto de Estabilidade –, assim como nos ulteriores passos deste processo de integração capitalista europeu, representaram o ataque e a destruição de capacidade produtiva nacional, o domínio estrangeiro sobre sectores estratégicos do País, baixos salários e pensões, ataque a direitos, degradação e privatização de serviços públicos, injustiças e desigualdades sociais, mais concentração da riqueza e saque de recursos nacionais,

consolidação de défices estruturais do País, dependência externa, estreitamento das relações económicas e comerciais de Portugal. A realização de infra-estruturas e as tendências de evolução entretanto verificadas não apagam o sentido essencial que caracteriza este processo.

Pese embora a intensa propaganda em torno da UE, a verdade é que a soberania foi gravemente comprometida, com questões centrais da vida do País a serem decididas, ou fortemente condicionadas, pelas instituições e instâncias da União Europeia, dominadas pelas grandes potências e determinado pelos interesses dos grupos económicos e financeiros.

O Pacto de Estabilidade, para lá da ditadura do défice e da dívida – agora agravado com o foco directo na contenção ou redução da despesa pública –, o Tratado Orçamental, o Semestre Europeu, a Governação Económica, são instrumentos que visam conter a despesa pública, sobretudo nas funções sociais do Estado, nos serviços públicos, no investimento público.

As muitas e reiteradas promessas de salários e condições de vida ao nível da “Europa”, do “pelotão da frente”, da dita “coesão económica e social” no âmbito da UE, esboroaram-se na realidade da manutenção e aprofundamento de divergências, desigualdades e assimetrias de desenvolvimento. Na memória do povo português estão ainda bem vivos os impactos da intervenção da troika, entre 2011 e 2015, com algumas das suas consequências a perduram de forma negativa no País.

A realidade expõe as muitas falácias e hipocrisias da União Europeia, que cinicamente clama pelos direitos humanos, a democracia e a paz, mas é conivente e cúmplice com o genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel. Ou ainda quando, de forma crescente, promove e incorpora concepções e projectos reaccionários nas suas políticas.

40 anos depois da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE, num contexto em que se debate com profundas contradições e dificuldades, a União Europeia insiste nas suas políticas neoliberais, federalistas e militaristas que não só atacam os direitos dos trabalhadores e as suas conquistas sociais, a soberania e a democracia, como promovem uma perigosa escalada de confrontação e guerra, incluindo com o aumento das despesas para os armamentos, desviando para a guerra milhares de milhões de euros necessários à resolução dos problemas sociais, com o sério risco de empurrar a Europa e o Mundo para a catástrofe.

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