Esta resolução é uma vergonhosa e hipócrita demonstração da completa submissão da maioria do PE às estratégias das potências envolvidas na escalada de guerra contra a Síria, adquirindo particular gravidade num momento em que se intensificam os esforços diplomáticos. O texto repete acriticamente o discurso da Casa Branca e da França sobre o ataque com armas químicas, desfilando mentiras e descaradas ocultações. Nunca refere o ataque de Maio e os indícios da utilização de armas químicas pelos ditos rebeldes e que foi o governo sírio quem já nessa altura solicitou a presença dos observadores internacionais, permitindo a sua entrada nas regiões por si controladas. Oculta que as vítimas resultam de um conflito militar interno e do alinhamento de potências da NATO e da UE com os chamados “rebeldes”, treinados e pagos a peso de ouro e a quem a maioria do PE reitera o seu apoio. Confrontada com o veto da China e da Rússia (sobre quem é exercida uma inaceitável pressão) no Conselho de Segurança da ONU, aponta caminho para a Assembleia Geral, órgão que as grandes potências e a maioria do PE têm ignorado ou marginalizado. Parecendo aparentemente de apoio à solução diplomática, o texto contém todos os elementos que a podem torpedear, abrindo caminho à agressão militar.