Tal como outros dois relatórios debatidos e aprovados nesta sessão plenária, este está igualmente impregnado de ambição.
Descontando a retórica, o relatório considera que "os próximos meses proporcionarão uma oportunidade única para a UE elaborar, com a nova administração dos Estados Unidos, uma agenda transatlântica que abranja questões estratégicas de interesse comum, como uma nova ordem mundial (...)", nomeadamente, tendo em vista a realização da próxima Cimeira da NATO ou a reunião do "G20", previstas para Abril.
Aliás, o relatório (e a resolução) constitui uma autêntica agenda dos objectivos, prioridades e interesses das grandes potências da UE, seja nos Balcãs (Kosovo, Bósnia-Herzegovina), Europa de Leste (Cáucaso, Mar Negro, Bielorrússia, Geórgia, Rússia), Médio Oriente (Faixa de Gaza (?!), Iraque), Mediterrâneo, Ásia central (Afeganistão, Irão) África (Chade, Sudão, Somália, República Democrática do Congo) Ásia (China), América Latina.
Nesta integram-se desde as mais descaradas violações do direito internacional, ingerência e intervencionismo, às mal dissimuladas ambições de domínio político e económico das grandes potências da UE.
Eis o real conteúdo e significado do denominado e propalado "papel da UE no Mundo", ou seja, a sua ambição de partilha do domínio de zonas de influência, de mercados e recursos naturais com os EUA e o Japão.