O PCP formalizou queixa junto da Comissão Nacional de Eleições, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, face à entrevista ao Secretário-Geral, Paulo Raimundo, no Telejornal da RTP de ontem.
Os órgãos de comunicação social – e a televisão pública com responsabilidades acrescidas – assumem um importante papel em períodos eleitorais (como o que vivemos), no quadro dos princípios constitucionais conquistados com a Revolução de Abril, do qual o PCP é um dos principais construtores.
Não estão em causa opções editoriais. O que é absolutamente inaceitável são os termos com que a entrevista foi conduzida: basta notar que não foi feita uma única pergunta sobre a situação política e social do País, de quem cá vive e trabalha.
A liberdade de imprensa não pode ser sinónimo de instrumentalização da titularidade de jornalista para, no uso dessas funções, fazer desaguar as suas concepções ideológicas. José Rodrigues dos Santos tem todo o direito de exercitar esse posicionamento em outros espaços e instrumentos. Mas não pode nem tem o direito, por razões éticas que não apenas deontológicas, de aproveitar um espaço mediático para transformar uma entrevista num ajuste de contas. Mais do que uma entrevista, o que ontem se assistiu foi, a partir da oportunidade de ter na sua presença o Secretário-Geral do PCP (supostamente para uma entrevista sobre a situação do País e as legislativas de 18 de Maio), um desonesto exercício de manipulação.