Intervenção de João Correia, Membro da DORVIC, XVIII Congresso do PCP

Organização Regional de Viana do Castelo

Organização Regional de Viana do Castelo
Intervenção de João Correia, Membro da Direcção da Organização Regional de Viana do Castelo

Camaradas
Em nome dos comunistas e dos trabalhadores do Alto-Minho saúdo todos os delegados e convidados ao XVIII Congresso do nosso Partido.
O Congresso do PCP não está limitado a estes três dias. A preparação do Congresso iniciou-se há meses com um processo de discussão abrangente em que se realizaram inúmeras reuniões e plenários. Na Organização Regional de Viana do Castelo tentámos realizar uma discussão aberta à participação de todos os militantes e amigos do Partido na discussão do projecto de Teses, ligado aos problemas locais e na procura de uma melhor intervenção da organização do Partido.
O processo de preparação e de debate para o Congresso, apesar dos esforços de levar a discussão a todos os militantes e de ter tido aspectos muito positivos, pôs em evidência que ainda existe uma reduzida militância e participação na vida partidária de um número considerável de militantes.
O Alto-Minho apresenta uma estrutura e dimensão económico/social desequilibrada e com assimetrias entre o Concelho de Viana e os restantes Concelhos, principalmente do interior. A esta situação não são alheias as políticas calamitosas dos sucessivos governos da direita (PSD/CDS) e que o actual Governo PS/Sócrates teima em agravar.
No distrito, existem cerca de 7.500 desempregados, sendo que 65% destes são mulheres, sem contar com as largas centenas de jovens, e menos jovens, em formação profissional e outros integrados em programas ocupacionais; existe muito trabalho precário e sazonal; O desemprego não atinge maiores dimensões, porque o fenómeno da emigração está de volta a esta região; O sector da agricultura e pescas vai desaparecendo, aumentando mais a nossa dependência do exterior; O distrito não tem um desenvolvimento industrial como seria desejável para o crescimento sustentado e a indústria naval, sector estratégico para o desenvolvimento de toda a região, vive em dificuldades e incertezas quanto ao seu futuro. No sector do comércio, a situação actual continua a ser caracterizado pelo surgimento de grandes superfícies comerciais por todo o distrito e em maior escala no concelho de Viana do Castelo. Esta realidade tem vindo a criar grandes dificuldades ao chamado comércio tradicional e contribuído para o uso e abuso dos contratos a termo e a recibo verde. Em consequência destas práticas de vínculo laboral, os direitos dos trabalhadores são muito menos respeitados, nomeadamente em termos de horários, trabalho suplementar não pago, e exercício do direito à maternidade.
Apesar de ser uma região periférica e de relativo atraso, e com os problemas e dificuldades daí decorrentes, os Comunistas do distrito, integrados no Movimento Sindical Unitário têm estado na primeira linha na luta contra a política de direita deste Governo.
É notório que, apesar de todas as dificuldades, a acção dos comunistas tem estado presente e em muitas tem sido determinante o seu papel. Ao Partido é cada vez mais reconhecida, por um maior número de Alto-Minhotos, a importância da sua acção e intervenção social.
Neste contexto, assume primordial importância a intervenção do nosso partido na análise e denúncia da realidade concreta, procurando, no diálogo com os trabalhadores e contacto com as populações, ganhá-los para a luta e propondo nas autarquias locais e na Assembleia da Republica, soluções e medidas que elevem o nível de desenvolvimento do Distrito.
Para garantir uma maior e melhor intervenção, é essencial reforçar a organização do partido, renovando e rejuvenescendo as organizações e estrutura partidária. A sua ligação aos trabalhadores nas principais empresas e locais de trabalho, nomeadamente um melhor acompanhamento nos Estaleiros navais e sectores da Administração Pública, e alargar a nossa influência a empresas recentemente instaladas da zona industrial de Vila Nova de Cerveira.
Dos desafios que temos pela frente no próximo ano, a luta contra a política de direita do PS, as eleições para o Parlamento Europeu, a Assembleia da República e para as Autarquias, exigem do Partido e de todos os seus militantes um elevado sentido de responsabilidade política e determinação na concretização do objectivo essencial que é o reforço da capacidade de intervenção dos comunistas nos diversos sectores da sociedade, de modo a que se concretizem as legítimas aspirações dos trabalhadores e do povo laborioso do Alto-Minho.
Ao terminar, queremos assegurar ao Congresso a disposição dos comunistas da região de tudo fazer para prosseguir o trabalho de reforço orgânico, ideológico, social, eleitoral do Partido, e promover o seu enraizamento nos trabalhadores e populações do distrito de Viana do Castelo. Citando palavras de um CAMARADA no último congresso, aos comunistas do Alto-Minho vai ser exigida coragem política, coragem moral e se necessário coragem física para ultrapassar as dificuldades inerentes a um distrito fustigado pelos efeitos da politica de direita e levar a bom porto estes objectivos.
Viva a luta dos trabalhadores!
Viva o XVIII Congresso!
Viva o Partido Comunista Português!

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