O Camponês

Nota Introdutória

No ano em que se comemora o 40.º aniversário da grande arrancada da Reforma Agrária, a mais bela conquista da Revolução de Abril, coroando uma longa luta dos trabalhadores do campo, em que a luta contra a exploração brutal a que estavam sujeitos e contra o fascismo era inseparável da luta pela resolução do problema da terra, expressa na reivindicação de «a terra a quem a trabalha», o Partido Comunista Português disponibiliza à consulta pública na Internet os jornais «O Camponês» e «A Terra», nas páginas dos quais se encontra uma informação única sobre a luta persistente e heróica dos trabalhadores do campo e em particular do proletariado agrícola do Sul contra o fascismo, pela liberdade, contra a vida de escravidão, pela realização da Reforma Agrária, condição para acabar com a miséria e assegurar o desenvolvimento económico do País.

Ao colocar à consulta pública os dois jornais não se pode deixar de salientar que a contribuição dos trabalhadores agrícolas para a conquista da liberdade foi regada com o sangue de José Adelino dos Santos, Germano Vidigal, Catarina Eufémia, José Patuleia, Alfredo Lima e de vários outros assassinados pelas forças repressivas do fascismo e Caravela e Casquinha, assassinados depois do 25 de Abril quando lutavam pela defesa da Reforma Agrária, contra a restauração do latifúndio desencadeada a partir do primeiro governo PS em 1976, com a lei Barreto.

A documentação agora colocada na Internet, pertencente ao acervo arquivístico do PCP, é composta por 104 números, uma separata e um suplemento de «O Camponês» publicado clandestinamente – em copiógrafo e tipografia – entre Maio de 1947 e Junho de 1968 e por 36 números de «A Terra» publicados igualmente clandestinamente, 2 números em 1949 e os restantes 34, depois de uma longa interrupção, entre 1963-1974.

O esclarecimento, a organização e a mobilização dos camponeses, designação que abrangia os pequenos agricultores e o proletariado agrícola, insere-se nas orientações e na actividade do PCP, praticamente desde o seu nascimento. Tarefa da maior importância não só pela massa imensa de população agrícola, como pelo grau de exploração a que estavam sujeitos.

A organização e a participação dos camponeses na luta alarga-se extraordinariamente depois da reorganização do PCP nos anos 1940/41, o que determinou que no IV Congresso do PCP (1946) se tenha decidido, face aos progressos verificados na organização e o seu papel decisivo no amplo desenvolvimento da luta camponesa contra a exploração e o fascismo, criar jornais específicos dirigidos aos trabalhadores dos campos.

«O Camponês» e «A Terra» tornaram-se um importante instrumento no esclarecimento, na organização e no impulsionar de milhares de lutas heróicas que se foram desenvolvendo em diferentes pontos do país, como se pode verificar pela leitura das páginas de «O Camponês» e «A Terra», embora assumindo particular dimensão nas zonas do latifúndio.

A luta vitoriosa de 200 mil trabalhadores agrícolas que inpuseram o horário das 8 horas em 1962 nos campos do Alentejo e Ribatejo, coroando a longa luta contra o trabalho de sol a sol e pela redução do horário de trabalho, perdura como um marco histórico na heróica luta do proletariado agrícola contra a vida de miséria, de opressão, pela liberdade e o progresso social. Uma luta em que “O Camponês” constituiu importante instrumento na acção do PCP para impulsionar e organizar aquela que foi a maior acção de massas do proletariado agrícola durante o fascismo.

Avaliando a importância da luta do proletariado agrícola nos campos do sul, Álvaro Cunhal considerou na sua obra Rumo à Vitória ser essa luta «da mais alta importância para o desenvolvimento da luta contra a ditadura fascista, para a realização da Reforma Agrária, para a construção do Portugal democrático de amanhã».

Afirmação amplamente confirmada pela luta do proletariado agrícola do Alentejo e Ribatejo em defesa do regime democrático, conquistado com a Revolução de Abril, pela realização da Reforma Agrária e consequente liquidação do latifúndio e do domínio dos agrários, fonte de atraso do País e um dos principais suportes sociais e políticos do fascismo.

Maio 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 1 Junho 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 2 2º quinzena Junho 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 3 Julho 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 4 Agosto 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 5 Setembro 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 6 Outubro 1947, Série n.º 1 - Edição n.º 7 Novembro 1947, Ano I - Edição n.º 8 Dezembro 1947, Ano I - Edição n.º 9 Janeiro 1948, Ano 1 - Edição n.º 10 Fevereiro 1948, Ano 1 - Edição n.º 11 Março 1948, Edição n.º 12 Abril 1948, Ano 1º - Edição n.º 13 Maio 1948, Edição n.º 14 Junho 1948, Ano 2º - Edição n.º 15 Julho 1948, Ano 2º - Edição n.º 16 Agosto 1948, Ano 2º - Edição n.º 17 Setembro 1948, Ano 2º - Edição n.º 18 Outubro-Novembro 1948, Ano II - Edição n.º 19 Dezembro 1948, Ano II - Edição n.º 20 Janeiro 1949, Ano II - Edição n.º 21 Fevereiro 1949, Ano II - Edição n.º 22 Março 1949, Ano II - Edição n.º 23 Abril 1949, Ano II - Edição n.º 24 Maio 1949, Ano III - Edição n.º 25 Junho 1949, Ano III - Edição n.º 26 Julho 1949, Ano III - Edição n.º 27 Agosto 1949, Ano III - Edição n.º 28 Setembro-Outubro 1949, Ano III - Edição n.º 29 Novembro 1949, Ano III - Edição n.º 30 Agosto 1950, Ano IV - Edição n.º 31 Outubro 1950, Ano IV - Edição n.º 32 Janeiro 1952, Ano V - Edição n.º 33 Abril 1952, Ano V - Edição n.º 34 Julho 1952, Ano V - Edição n.º 35 Outubro 1952, Ano V - Edição n.º 36 Fevereiro 1953, Ano V - Edição n.º 37 Março 1953, Ano V - Edição n.º 38 Julho 1953, Ano V - Edição n.º 39 Setembro 1953, Ano VI - Edição n.º 40 Janeiro 1954, Ano VI - Edição n.º 41 Março 1954, Ano VI - Edição n.º 42 Abril 1954, Ano VI - Edição n.º 43 Maio-Junho 1954, Ano VI - Edição n.º 44 Agosto-Setembro 1954, Ano VIII - Edição n.º 45 Novembro-Dezembro 1954, Ano VIII - Edição n.º 46 Janeiro-Fevereiro 1955, Ano VIII - Edição n.º 47 Março 1955, Ano VIII - Edição n.º 48 Abril-Maio 1955, Ano IX - Edição n.º 49 Junho-Julho 1955, Ano IX - Edição n.º 50 Agosto-Setembro 1955, Ano IX - Edição n.º 51 Outubro-Novembro-Dezembro 1955, Ano IX - Edição n.º 52 Janeiro-Fevereiro 1956, Ano IX - Edição n.º 53 Março 1956, Ano IX - Edição n.º 54 Maio 1956, Ano IX - Edição n.º 55 Julho 1956, Ano IX - Edição n.º 56 Novembro 1956, Ano IX - Edição n.º 57 Janeiro 1957, Ano X - Edição n.º 58 Março 1957, Ano X - Edição n.º 59 Abril 1957, Ano X - Edição n.º 60 Julho 1957, Ano X - Edição n.º 61 Dezembro 1957, Ano X - Edição n.º 62 Março 1958, Ano X - Edição n.º 63 Abril 1958, Ano X - Edição n.º 64 Julho 1958, Ano X - Edição n.º 65 Outubro 1958, Ano X - Edição n.º 66 Março 1959, Ano XI - Edição n.º 67 Maio 1959, Ano XI - Edição n.º 68 Agosto-Setembro 1959, Ano XIII - Edição n.º 69 Outubro-Novembro 1959, Ano XIII - Edição n.º 70 Dezembro 1959, Ano XIII - Edição n.º 71 Janeiro 1960, Ano XIII - Edição n.º 72 Fevereiro 1960, Ano XIII - Edição n.º 73 Março 1960, Ano XIII - Edição n.º 74 Abril 1960, Ano XIII - Edição n.º 75 Maio 1960, Ano XIV - Edição n.º 76 Junho 1960, Ano XIV - Edição n.º 77 Julho 1960, Ano XIV - Edição n.º 78 Agosto-Setembro 1960, Ano XIV - Edição n.º 79 Outubro 1960, Ano XIV - Edição n.º 80 Novembro 1960, Ano XIV - Edição n.º 81 Dezembro 1960, Ano XIV - Edição n.º 82 Janeiro-Fevereiro 1961, Ano XIV - Edição n.º 83 Março 1961, Ano XIV - Edição n.º 84 Abril 1961, Ano XIV - Edição n.º 85 Maio-Junho 1961, Ano XV - Edição n.º 86 Julho 1961, Ano XV - Edição n.º 87 Julho 1961, Suplemento do nº 87 Agosto-Setembro 1961, Ano XV - Edição n.º 88 Outubro-Novembro 1961, Ano XV - Edição n.º 89 Dezembro 1961, Ano XV - Edição n.º 90 Janeiro-Fevereiro 1962, Ano XVI - Edição n.º 91 Março-Abril 1962, Ano XVI - Edição n.º 92 Maio 1962, Ano XVI - Edição n.º 93 Outubro 1962, Ano XVI - Edição n.º 94 Novembro-Dezembro 1962, Ano XVI - Edição n.º 95 Janeiro 1963, Ano XVI - Edição n.º 96 Agosto 1963, Ano XVII - Edição n.º 97 Abril 1963, Separata do nº 97 Setembro 1963, Ano XVII - Edição n.º 98 Outubro 1963, Ano XVII - Edição n.º 99 Novembro 1963, Ano XVII - Edição n.º 100 Dezembro 1963, Ano XVII - Edição n.º 101 Janeiro 1964, Ano XVIII - Edição n.º 102 Fevereiro-Março 1964, Ano XVIII - Edição n.º 103 Maio 1964, Agosto 1964, Ano XVIII - Edição n.º 104 Setembro 1964, Ano XVIII - Edição n.º 105 Dezembro 1964, Ano XVIII - Edição n.º 106 Janeiro 1965, Ano XIX - Edição n.º 107 Fevereiro 1965, Ano XVIII - Edição n.º 108 Março 1965, Ano XVIII - Edição n.º 109 Abril 1965, Ano XVIII - Edição n.º 110 Maio-Junho-Julho 1965, Ano XIX - Edição n.º 111 Setembro 1965, Ano XIX - Edição n.º 112 Dezembro 1965, Ano XIX - Edição n.º 113 Janeiro 1966, Ano XIX - Edição n.º 114 Abril 1966, Ano XIX - Edição n.º 115 Junho 1966, Ano XX - Edição n.º 116 Julho 1966, Ano XX - Edição n.º 117 Setembro 1966, Ano XX - Edição n.º 118 Janeiro 1967, Ano XX - Edição n.º 119 Abril 1967, Ano XX - Edição n.º 120 Outubro 1967, Ano XX - Edição n.º 121 Junho 1968, Ano XXI - Edição n.º 122