Intervenção de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, Festa do Avante!

Comício da 50.º Festa do Avante!

A todos vós, obreiros desta magnífica construção colectiva, dirijo uma enorme saudação.

Saúdo todos, os que constroem e garantem a realização da Festa, os militantes do Partido e os milhares e milhares que não sendo militantes fazem desta Festa a sua casa.

Saúdo os artistas, os desportistas e todos os construtores e protagonistas do magnífico programa da Festa.

Uma saudação especial aos jovens e à Juventude Comunista Portuguesa, vocês são uma expressão viva desta Festa que fazem vossa. 

Aos que estão sempre, aos que regressam, aos que estão pela primeira vez, sejam todos bem-vindos, esta é a vossa Festa, e amanhã lá estaremos ao vosso lado na vida, nas dificuldades, no sonho, na esperança e na luta por uma vida melhor. 

Num momento em que alguns promovem o ódio e a violência, em que procuram impor a agenda xenófoba e racista, nos querem divididos, indiferentes ao sofrimento dos outros e a procurar naquele que é diferente o culpado pela nossa situação difícil, quando querem que os jovens marchem para a guerra, quando nos querem conformados, desesperançados e vergados às injustiças e desigualdades, aqui está a Festa do Avante!, aqui está esta força imensa a resgatar a solidariedade, a fraternidade, a amizade e a paz, aqui está a confiança no futuro, a construção colectiva, o ideal e o projecto, o sonho tornado realidade, a esperança que não fica à espera, aqui está a coragem e a alegria de viver e de lutar.

Aqui estamos nos 50 anos de uma Festa ímpar, que ao longo de décadas, marcou e marca o País e sucessivas gerações na cultura, nas artes, na afirmação dos valores de Abril e nas grandes causas da Humanidade. 

Esta não é uma celebração virada para o passado, é uma afirmação de futuro, do futuro que queremos e vamos construir. 

Ainda com mais força e com uma festa ainda mais bonita, cá nos encontraremos a 3, 4 e 5 de Setembro, do próximo ano, na Festa.

Às delegações internacionais deixamos um particular obrigado.

Obrigado pela vossa presença nesta que é também a vossa Festa, este momento de solidariedade internacionalista, de luta pela Paz, amizade e cooperação entre os povos do mundo.

Façam chegar aos vossos povos o firme compromisso e a determinação do PCP. 

Aqui estamos, a bem da Humanidade, com todos vós, pela superação revolucionária do capitalismo, a grande necessidade do nosso tempo. 

Aqui estamos a fazer frente à besta da guerra e ao sistema capitalista que a promove e dela se alimenta, esse sistema da exploração, opressão, agressão, fome, miséria, corrupção, fascismo, destruição ambiental. 

Numa altura onde a ciência e a técnica evoluem à velocidade da luz, em que a Inteligência Artificial e outras tecnologias se afirmam, apesar de, em grande medida, aprisionadas pelo modo de produção capitalista, e onde se alcançam níveis de produção nunca antes vistos, não aceitamos que aumente a exploração dos trabalhadores, as injustiças e as desigualdades, não aceitamos que milhões de pessoas sofram e morram por doenças perfeitamente evitáveis e curáveis, não aceitamos que 8 mil crianças por dia seja vitimas da fome, enquanto que uma dúzia de grandes capitalistas concentra nas suas mãos mais riqueza do que alguma vez foi alcançada.

A guerra é destruição, esse não é o caminho dos povos.

Não há um passo, um esforço, uma medida pela Paz e pelo fim da guerra no Leste Europeu, pelo contrário: querem não só impor ainda maiores transferências de recursos públicos para o negócio das armas como estão, tal como assistimos de forma particular nos últimos dias, cada vez mais empenhados em escalar um conflito que já dura há 12 anos e que a não ser interrompido terá consequências incalculáveis. 

Podem ter muita força mas não calam nem param a solidariedade. 

Daqui lhes dizemos, tirem as mãos da Venezuela e libertem o Presidente Nicolás Maduro.

Daqui saudamos a luta do povo Sarauí e a de todos os povos que resistem à agressão do imperialismo e lutam pela sua soberania e direitos no Médio Oriente, em África ou na América Latina.

Rejeitamos as pressões dos que tentam proibir e criminalizar a solidariedade, condenamos e denunciamos os porta-vozes do horror, aqui estamos pela Palestina, pelo seu povo e pelo seu Estado soberano e independente. 

Condenamos e não calamos perante a ocupação e o genocídio às mãos da política terrorista do Estado de Israel, com o apoio dos EUA, a hipocrisia da União Europeia e de todos os coniventes com esse monstruoso crime.

Os mesmos que agridem o Líbano, que levam uma guerra ao Irão, que conta com a vergonhosa cumplicidade do Governo português, ao abrir as portas da Base das Lajes à máquina de guerra norte-americana.

E por muito que doa aos vassalos do imperialismo, aqui estamos, com a nossa mais profunda e firme solidariedade, com Cuba, aqui estamos com a dignidade e a resistência do heróico povo cubano, aqui estamos com a Revolução cubana.

Cuba enfrenta enormes dificuldades, submetida que está ao bloqueio, ao cerco, a uma autêntica declaração de guerra dos EUA. 

Cada um que pense o que significam 67 anos de bloqueio, agora ainda mais agravado, que impõe ao povo cubano a falta de energia, de medicamentos, de alimentos. 

Cada um que imagine o que significam 10 meses sem entrar combustível, 7 mil contentores com comida, medicamentos e outros bens, bloqueados e impedidos de chegar a Cuba.

O que é extraordinário é que nestas condições Cuba, a pátria de Fidel Castro, resista com dignidade e firmeza.

Cuba não tem que justificar nada a ninguém, já os EUA têm de explicar como é que a maior potência económica e militar do mundo que a todos ameaça e agride e que não olha a meios para atingir os seus tenebrosos objectivos, é incapaz de resolver os dramáticos problemas sociais de pobreza, injustiça, subnutrição, doença, violência e toxicodependência a que o povo norte-americano está sujeito.

A luta de Cuba é a nossa luta, uma luta de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia e da paz, uma batalha a que nenhum democrata, nenhum antifascista, nenhum anticolonialista pode faltar. 

Camarada Miguel Díaz-Canel, saudamos a mensagem que nos foi dirigida, e  daqui, desta nossa festa, envio a solidariedade de todos nós, a solidariedade deste povo ao povo Cubano. 

Cuba não está só, Cuba vencerá.

Os povos não precisam de bloqueios, sanções, raptos, ingerências ou agressões. 

O povo e a juventude em Portugal precisam é de melhores salários e pensões, acesso à saúde, hospitais, de casa para viver, escolas, precisam de creches, lares, transportes, serviços públicos, cultura, ciência, investigação, produção, desenvolvimento.

Portugal precisa é de soberania e não de continuar vergado às ordens da União Europeia, refém dos interesses da NATO e dos EUA e nas mãos dos que se acham donos disto tudo, os tais que somam lucros astronómicos à custa da exploração, da especulação, da corrupção, das privatizações e outros crimes económicos, à custa do brutal aumento do custo de vida.

Bem pode o Primeiro-Ministro falar do aumento dos rendimentos que a sua propaganda esbarra na realidade do dia-a-dia, onde os salários e as reformas são comidos pelo aumento do custo de vida. 

Cada vez pagamos mais pelos combustíveis, alimentos, habitação para encher os cofres de uns poucos.

Para os grupos económicos a quem o Governo serve, o País nunca esteve tão bem, pudera, os seus lucros e riqueza crescem como nunca e contam com um Governo que faz de cada problema estrutural um pretexto para a transferência de recursos públicos para os seus cofres.

Um Governo que é mestre da propaganda e da ilusão, que o digam as vítimas das intempéries a quem os apoios ou chegaram tarde ou, sete meses depois, ainda estão por chegar.

Um Governo que jura a pés juntos que não o fará mas, caso tenha espaço para isso, tudo vai fazer para que o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores e assaltar a Segurança Social.

Que ninguém se iluda, só não avançarão se os trabalhadores, os reformados e a juventude derem, como estão a dar, um forte sinal de rejeição face a este assalto que está em marcha.

Um Governo que pela voz do Primeiro-Ministro, numa negociata ainda por explicar, afirma que com a entrada do Estado no capital da REN os preços da electricidade vão baixar.

Se é assim, porque razão o Estado, que hoje detém 8% da Galp, não faz baixar os combustíveis e o gás de botija? 

Todos pagamos, e amanhã ainda mais, pagam os pequenos e médios empresários, os agricultores, os pescadores, o Primeiro-Ministro pede compreensão e a GALP continua a encaixar lucros nunca vistos, lucros que, se ficarem no cofre da família Amorim, de nada servem, ao País, à economia e às nossas vidas. 

Se não fosse dramático, teria até graça a afirmação de que a entrada no capital da REN, rapidamente saudada pela embaixada dos EUA, é para defender a soberania nacional. 

Mas onde fica a soberania quando a multinacional Moeve se prepara para pôr a mão na refinaria de Sines, a única refinaria em Portugal?

Onde estava o patriotismo quando o governo de Passos Coelho, aquele que actuais dirigentes do Chega e da Iniciativa Liberal apoiaram e têm saudades, privatizou: a ANA, a REN, a EDP, a Portugal Telecom, a CP Carga, os Correios e, na vigésima quinta hora e pela calada, ainda entregou a TAP?

E as telecomunicações, a banca, os seguros, os transportes, os portos, o armazenamento e distribuição de cereais, não são estratégicos?

E o que dizer desse acto patriótico de privatizar a TAP que é só a maior exportadora nacional, e a SATA, e as linhas rentáveis da CP?

Portugal não precisa de quem hipocritamente invoca a soberania mas entrega o País às multinacionais.  

O problema que enfrentamos não advém de incompetência, da chico-espertice ou de casos que envolvem ministros, cujas explicações deixam muito a desejar.

O problema é mesmo a política de Governo que merece censura, tal como são censuráveis todos os que apoiam, suportam e viabilizam a política de desastre nacional que está em curso. 

É também responsável o PS, que viabilizou o Orçamento do Estado do PSD/CDS, é também responsável a Iniciativa Liberal, a promotora de tudo quanto favorece o grande capital, é também responsável o Chega que, entre a mentira e a demagogia, está com o Governo e esta política, em tudo o que é estrutural, sempre ao lado dos mais ricos e poderosos, como ficou evidente na descida do IRC. 

Uns e outros, à vez ou em conjunto, dão a mão, o braço e o corpo ao caminho em curso.

Não há gritaria ou linhas vermelhas, não há manobras ou desvio de atenções que iludam a questão central: a política ao serviço dos grupos económicos é incompatível com a resposta às necessidades da maioria e do País.

Se o PS viabilizar o Orçamento do Estado, mais uma vez não só liberta um Chega, comprometido até ao pescoço com a política em curso, de ter de o fazer, como lhe dá mais espaço para continuar a enganar o povo. 

Mas se o PS o fizer terá ainda de assumir a responsabilidade: pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, o ataque à escola pública, a especulação imobiliária, o ataque aos salários, às reformas e à Segurança Social, pelas privatizações, pelo aumento dos preços.

Se o fizer, o PS confirma a sua cumplicidade com a política de direita e oferece ao Governo PSD/CDS, ao Chega e à IL, mais condições para elevar o ataque.

O Capital está sentado no Conselho de Ministros, ocupa a imensa maioria das cadeiras na Assembleia da República, procura saquear os recursos do País, quer ajustar contas com as conquistas da Revolução de Abril e para isso conta com um Governo PSD/CDS que, em claro confronto com a Constituição, quer liquidar direitos, atacar elementos centrais da estrutura social conquistada pelo povo português e impor uma visão antidemocrática em todos os níveis da vida nacional. 

O que está em causa não é só a fragilização do SNS e a transferência de recursos públicos para os grupos privados do negócio da doença, querem mesmo destruir o SNS e o direito à saúde.

O que os move não é apenas transferir cada vez mais recursos para os grupos privados da educação, querem mesmo reconfigurar a escola pública,  atacar a carreira dos professores, substituir estruturas do Estado por empresas privadas, como aconteceu com a trapalhada dos exames. 

A proposta que o Governo fez aprovar com o apoio do PS sobre a Prestação Social Única não é apenas para limitar o acesso à protecção social, estigmatizar a pobreza ou reduzir apoios, querem mesmo assaltar a Segurança Social e comprometer a reforma a gerações futuras.

Não se trata apenas da recusa de uma política pública de habitação que enfrente um tempo onde as casas nunca estiveram tão caras, onde nunca foi tão difícil arrendar e tão fácil despejar, ao mesmo tempo que a banca apresenta lucros históricos.

Querem mesmo é perseguir inquilinos e anular os seus direitos, querem mesmo desmantelar estruturas do Estado sem as quais não há política de habitação, querem pôr os solos na mão da especulação.

O projecto que querem impor não passa apenas na continuada ofensiva contra direitos dos trabalhadores e na contenção e desvalorização dos salários. 

O que querem, como revelou o derrotado pacote laboral, é levar por diante um retrocesso sem precedentes aos direitos e organização dos trabalhadores e intensificar a exploração.

Não se limitam a consolidar o rumo neoliberal, querem mesmo aumentar ainda mais as rendas aos grupos económicos, assaltar os recursos públicos, privatizar, concessionar e mais e mais PPP, desde logo as rodoviárias.

O que querem mesmo é, a mando do capital, rasgar a Constituição da República.

Não surpreende que PSD e CDS, o Chega e a IL estejam unidos nestes objectivos a partir das suas concepções reaccionárias, o que não se entende é a disponibilidade do PS para amparar um assalto em curso, e que é preciso levar muito a sério.

Não estamos apenas perante diferentes opções, estamos num claro confronto de projectos. 

Um confronto entre os que, ao serviço de uma minoria, querem concluir o processo contra-revolucionário, e os que, como nós, tomam nas mãos o projecto dos valores de Abril e os direitos de quem trabalha, de quem trabalhou uma vida inteira, da juventude.

Perante esta ofensiva global, é preciso a resposta global.

Uma resposta que exige a mobilização de todos e de todas as forças, que exige que assumam todos os meios e instrumentos, desde logo a luta de massas, para interromper esta política e a acção deste Governo. 

Este não é um tempo para experimentações sem percurso nem futuro e muito menos para ilusões que, na primeira curva, se transformam em desilusão, este não é o tempo para a armadilha do mal menor, que mantém tudo na mesma e alimenta ainda mais as forças e concepções reaccionárias.

Este é o tempo de apontar com clareza o novo rumo que Portugal precisa.

É o tempo da coragem, da mobilização e da luta pela alternativa que não abdica do País e do seu povo definirem o seu próprio caminho e onde os direitos dos trabalhadores estão no centro da acção política.

Alternativa que recusa o caminho da guerra, que não abdica dos interesses nacionais e de recuperar as alavancas fundamentais da soberania e da independência. 

Este é o tempo dos trabalhadores, do povo e da juventude serem os protagonistas das suas vidas.

É para este projecto de ruptura e mudança, patriótico e de esquerda, é para este movimento, para este novo rumo que desafiamos todos os que não se resignam.

Há força e há forças para resistir e vencer.

Há um ano, aqui nesta mesma Festa, afirmámos que não desistíamos e que os trabalhadores e a sua luta podiam e iriam fazer cair o pacote laboral, e o pacote laboral caiu mesmo. 

É hora de saudar todos os que deram expressão a um dos maiores processos de luta desenvolvido no nosso País.

Saudamos os jovens e os trabalhadores, saudamos a CGTP-IN, a grande e reconhecida central sindical, sempre com os trabalhadores e os seus direitos, saudamos o movimento sindical unitário e todos os sindicatos e estruturas que se uniram e não vacilaram neste combate.

Trezentos e trinta dias de luta, milhares de plenários, acções, esclarecimento, manifestações, ao frio, à chuva, ao calor, de noite, de dia, de madrugada, duas Greves Gerais, coragem, determinação, organização, dignidade: foi esta luta, e só esta luta, que derrotou o pacote laboral.

Um ano depois aqui estamos e afirmamos com orgulho – esta grande vitória dos trabalhadores é também uma vitória do PCP, do Partido que nunca desistiu, que nunca vacilou, o Partido de confiança e da confiança que nunca faltou.

Esta é a festa dos trabalhadores e da vitória social pelo projecto de retrocesso que travou, da vitória política pela derrota que impôs ao Governo, da vitória ideológica pela confirmação de que, com a força organizada dos trabalhadores, é possível vencer mesmo em condições desfavoráveis e por maiores que sejam as maiorias institucionais.

A luta é o caminho da vitória.

Projecto, iniciativa, proposta, é este o compromisso do PCP para uma luta que vai continuar em todas as frentes, agora ainda com mais e novas forças.

Que todos os trabalhadores exijam o aumento dos salários, o fim da precariedade e os falsos recibos verdes, que exijam contratos efectivos, a valorização das suas carreiras e profissões, a dignificação do trabalho por turnos, a redução do horário de trabalho para as 35 horas.

Travemos o assalto à Segurança Social, o ataque às pensões, o prolongamento da idade da reforma, lutemos pelo aumento intercalar das pensões e reformas em 50 euros com retroactivo a Julho, levemos por diante a justa revindicação do direito à reforma sem penalizações, aos 40 anos de descontos. 

Criemos as condições para que o País volte a acolher os que tiveram que sair à procura da vida melhor e que cá fazem falta.

Que cada jovem que cá queira estudar e trabalhar tenha acesso a uma casa para viver, contratos de arrendamento estáveis e que não seja assaltado pelos juros e comissões bancárias.

Que cada pai e cada mãe não abdique do direito a ter tempo para acompanhar os seus filhos, de ver concretizados todos os direitos das crianças, aceder à cada vez mais urgente rede pública de creches, à gratuitidade dos livros de fichas e das refeições escolares.

Estamos todos convocados e obrigados a salvar o Serviço Nacional de Saúde.

Que ninguém aceite a falta de médicos, de enfermeiros e outros profissionais, que todos se mobilizem pela abertura dos serviços encerrados.

Que cada bolseiro e investigador exija um contrato de trabalho, disso depende a sua vida, mas também o sistema científico nacional. 

Que cada estudante se mobilize pela avaliação contínua, pelo reforço da Acção Social Escolar, pelo fim das propinas, pela escola pública e um ensino público, gratuito, democrático e de qualidade.

Que a Cultura se afirme, que os seus trabalhadores conquistem a estabilidade dos seus contratos e das suas vidas.

Lutemos contra a divisão, travemos a agenda xenófoba e racista, os trabalhadores imigrantes merecem respeito, dignidade e direitos.

É preciso agir e de forma determinada, não é possível aguentar mais a chantagem permanente das grandes cadeias de distribuição sobre agricultores, pescadores, micro, pequenos e médios empresários.

Que todos se mobilizem, que ninguém se encolha contra o roubo e o brutal aumento do custo de vida, lutemos pela regulação de preços dos alimentos, da energia e dos combustíveis, pela fixação do gás de botija nos 20 euros, pela descida para 6% do IVA da energia e telecomunicações.

Que ninguém falte à exigência do aumento da oferta de transporte público no caminho da gratuitidade.

Aqui estamos para propor, exigir, lutar, aqui há projecto, aqui ninguém desiste do País.

Portugal não está condenado a ser um resort turístico.

Podemos e devemos produzir mais alimentos, medicamentos, comboios, barcos, bens e equipamentos tecnológicos, Portugal pode, deve e tem condições para produzir mais e substituir importações, para apostar na ciência e tecnologia, para valorizar o trabalho e os trabalhadores, para apoiar as pequenas e médias empresas, a indústria, a agricultura e as pescas. 

Os desafios são muitos, este caminho não se faz num dia, faz-se na luta de todos os dias, nessa luta que vale a pena.

Provoquem o sobressalto, lutem pelas vossas vidas. 

Contem connosco, contem com o PCP, lá estaremos já nos próximos dias a levar por diante uma acção de contacto e esclarecimento nas empresas e nas ruas, pela ruptura com as injustiças que marcam as nossas vidas, lá estaremos com a confiança de que com a força de cada um é possível um novo rumo para o País.

Cá estamos com uma imensa alegria de viver e de lutar. 

Cá está o PCP, o Partido que queremos mais forte e que estamos a reforçar.

Um PCP mais forte, é preciso, é possível.

O Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, o Partido da juventude.

O Partido da verdade, que não cede a pressões e chantagens, que aprende com a vida e segue determinado na afirmação da sua identidade comunista.

O Partido cujos militantes deram e dão provas de uma entrega sem paralelo, recusando e combatendo favores e benefícios.

O Partido que alerta, esclarece, mobiliza, une, organiza e toma a iniciativa.

O Partido patriótico e internacionalista.

PCP, o Partido a que temos um orgulho imenso em pertencer, o Partido a que vale a pena pertencer.

A todos os que trabalham, que criam a riqueza, que garantem o funcionamento do País, aos que trabalharam uma vida inteira, aos intelectuais, às mulheres, aos que procuram em Portugal uma vida melhor, a cada um que está justamente inquieto com a situação do País e do mundo, aos que não se resignam, aos que perderam a esperança, a todos, deixamos um desafio: tomem Partido, juntem-se ao PCP, adiram ao vosso Partido.

Um desafio que fazemos de forma particular à juventude.

Quando o sistema capitalista vos rouba os sonhos e vos esmaga as aspirações, vos empurra para o individualismo e o isolamento, vos condena aos baixos salários, precariedade e a terem uma vida pior que a dos vossos pais, quando vos impõem um presente de exploração e de sacrifícios, vos dão como receita a mentira, a demagogia e a revisão histórica, vos querem egoístas, sós, sem esperança e desorientados, quando vos querem mandar para a guerra, respondam, respondam com o vosso inconformismo, com a vossa alegria, com a vossa audácia, com a vossa criatividade, força e energia.

Ao sistema que vos oprime, respondam com a vossa luta, rebeldia e sonho, respondam com mais JCP, com mais força ao PCP.

Respondam na luta de todos os dias, como fazem nesta que é a vossa Festa, transformem o sonho em vida, tomem nas mãos esse mundo novo que está por conquistar.

Contem com o vosso Partido para convosco cumprir o objectivo libertador da sociedade nova, o socialismo e o comunismo.
 

Viva a solidariedade Internacionalista!
Viva a Paz!
Viva a Festa do Avante!
Viva a Juventude Comunista Portuguesa!
Viva o Partido Comunista Português!

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