Intervenção de Alfredo Maia na Assembleia de República, Reunião Plenária

O Governo quer transformar unidades militares em parques temáticos para jovens

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O PSD e o CDS após concluírem a sua, cito, “reflexão urgente e descomplexada” sobre o modelo de defesa nacional e, na sua fúria de tudo mudar porque sim, o que têm para apresentar-nos é a transformação das unidades militares em parques temáticos para jovens e fazer dos militares coaches motivacionais em liderança… 

E ainda falta saber de onde vem tamanha inspiração…

O PCP não aceita que a discussão sobre as Forças Armadas seja o mote para amplificar a propaganda de guerra e a deriva belicista que varre a União Europeia e os Estados Unidos da América de lés a lés. 

As iniciativas do PSD e do CDS têm no tema Guerra o pretexto para que a nossa juventude seja atrelada, como acontece com a juventude europeia, às guerras de agressão a outros povos a que o Governo amarra de forma infame o País.
 
Para mais, vindo dos que se empenharam afincadamente pelo fim do SMO a qualquer preço, menos o preço da valorização da condição militar.

É até curioso que os projetos da AD vão em sentido contrário ao diagnóstico feito e até ao discurso do Ministro da Defesa, presidente do CDS, que afirma que o problema das Forças Armadas não é o recrutamento, é a retenção. 

Então o porquê deste projeto? 

Porque é preciso mostrar serviço para Europa ver. Não são os interesses nacionais e os problemas das Forças Armadas que o motivam.

O que afasta os jovens, e até os menos jovens, das Forças Armadas são os baixos salários, a sobrecarga horária desmedida, as condições das Unidades, o desprezo pelas suas pensões de reforma, a limitação desproporcional dos seus direitos fundamentais.

Não são 400 euros e a promessa de carta de condução que alteram décadas de desvalorização da condição militar: 

São salários dignos, reformas, condições de trabalho e valorização dos regimes de voluntariado e quadros permanentes, que já hoje existem, e o consequente reconhecimento da formação obtida e a possibilidade de voltar com direitos à vida civil, incluindo com a contagem do tempo de serviço no ingresso nos quadros da Administração Pública. 

É caso para dizer, como já alguém referiu, que dantes ia-se para a tropa por obrigação, depois por convicção e agora pela carta de condução. 

Aliás, as Forças Armadas, que não são escolas de condução, não têm hoje condições para corresponder a esta exigência, a não ser que sejam apenas meia dúzia de jovens que se candidatem.

O PCP não tem dúvidas de que a juventude portuguesa está empenhada na defesa da Paz, da soberania e independência nacional, e que precisa de condições para servir e contribuir com o seu trabalho para o progresso do País: 

Direito ao trabalho com direitos, à habitação, aos mais elevados graus de ensino, à saúde, à maternidade e paternidade; condições para pôr termo à emigração forçada. 
Mas os jovens e as Forças Armadas não podem esperar nada disto vindo da AD – e estas iniciativas, senhores deputados, são prova disso mesmo!

 

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