O facto de o Governo não reconhecer os atrasos na resposta às populações e afirmar que está a responder com toda a celeridade revela que não tem consciência da real situação no terreno e condiciona a resposta que deveria estar a ser dada.
Continua a ser necessário que o Governo active todos os meios ao seu dispor para acudir, de forma célere, às necessidades mais urgentes das populações, para repor e reconstruir habitações, equipamentos, infraestruturas e capacidade produtiva (na agricultura, indústria e serviços); para garantir aos trabalhadores salários e postos de trabalho; para assegurar rendimentos aos pequenos e médios agricultores e empresários; e para repor a vida económica e social nas zonas afectadas o mais rapidamente possível.
O Governo repetiu hoje, no essencial, as medidas já anunciadas no domingo, que são claramente insuficientes. A título de exemplo, não garantem a todos os trabalhadores o pagamento integral dos seus salários. Não acautelam as situações dos microempresários que são sócios-gerentes e que não são abrangidos pelo regime dos trabalhadores por conta de outrem. Continuam a limitar a 250 milhões de euros o apoio a mais de 60 autarquias, revelando uma profunda incompreensão do seu papel e das responsabilidades que enfrentam. Não se comprometem com um prazo para a reposição de energia eléctrica, quando ainda existem centenas de milhares de pessoas sem luz (mais de 70 mil contratos). Não avançam com valores a fundo perdido para apoio à reposição da capacidade produtiva, sem os quais centenas de empresas e explorações agrícolas estarão condenadas.
O Governo diz que, para situações excepcionais, são necessárias medidas excepcionais. Mas 2 500 milhões de euros para responder a uma calamidade como esta é pouco mais do que decidiu entregar aos grupos económicos com a descida do IRC.
Ora, a resposta tem de ser outra. A prioridade deve ser investir no País com todos os meios que são indispensáveis neste momento.







