Intervenção de Paula Santos na Assembleia de República, Reunião Plenária

Mais uma vez, a Presidência da UE deixa de fora das prioridades os problemas dos povos

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Não é verdade que as prioridades da Presidência Cipriota da União Europeia não deixam ninguém para trás. Tudo gira em torno do tal mercado, desconsiderando as condições de vida dos povos e os direitos. 

Mais uma vez, a Presidência deixa de fora das prioridades os problemas dos povos. Mais uma vez a prioridade é o aprofundamento das políticas de favorecimento dos grandes interesses, o militarismo e a guerra, enquanto os problemas que afetam os povos, a pobreza, os elevados custos de vida, as dificuldades no acesso à habitação, ficam sem resposta.

Insiste na continuação na corrida aos armamentos, através de conceitos como “autonomia estratégica”, para prolongar a guerra, nomeadamente na Ucrânia, ao invés de se empenhar seriamente numa solução pacífica que ponha termo a um conflito que já causou tanto sofrimento e destruição.  

Insiste no aprofundamento do mercado único, na chamada União dos Mercados de Capitais e na União das Poupanças e Investimentos, que constituem um saque aos trabalhadores, às suas poupanças e pensões, colocando-as na roleta da especulação. Falam de simplificação, mas mais não é do que desregulamentação e uma via verde para as grandes empresas.

Falam em dar um novo impulso às negociações no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual, mas a partir de numa proposta prejudicial para as políticas de coesão e de apoio aos sectores produtivos, reduzindo o peso destas rubricas de 65% no atual quadro financeiro plurianual para 45% como consta da proposta do próximo, o que pode corresponder a cortes superiores a 10% na coesão e na agricultura. 

Resta saber, com clareza, como se vai posicionar o Governo, se vai dar a sua anuência a uma proposta prejudicial para Portugal, ou se vai defender o nosso País e o nosso povo?  Ou vai anuir como fez com o acordo EU-Mercosul?

Apesar de se recusar a reconhecer, este acordo é extremamente negativo para Portugal, ao possibilitar a importação de produtos com custos de produção inferiores aos do nosso País, o que vai colocar em risco pequenas e médias explorações agrícolas e a agricultura familiar, fragiliza os rendimentos dos agricultores, acelera o abandono da atividade e aprofunda a dependência alimentar do País

 

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