Senhor presidente, senhores deputados, senhor primeiro-ministro, como afirmamos há muito, para o seu Governo tudo é negócio; a habitação, a educação, a segurança social, o património e recursos públicos, vamos ver como se vai comportar perante o assalto em curso da CEPSA à Galp, mas talvez que o mais evidente plano em curso do seu Governo e também um dos que mais prejudica a vida das pessoas seja a venda da Saúde aos grupos privados do negócio da doença.
Urgências, maternidades, consultas, INEM, socorro tudo se agrava com as consequências que estão à vista e o mais grave é que se agrava por opção política que é sua e de todo o seu Governo.
O que mais é preciso acontecer para compreender que o seu caminho de desmantelamento do SNS é um erro e põe objectivamente em causa a saúde das populações?
“Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e apenas a elas, decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia.”
Esta afirmação, que o senhor, em nome do Governo de Portugal, subscreveu, é valida para todos os povos e Estados ou vai continuar a arrastar o País para a vergonhosa posição submissa de dois pesos e duas medidas, como fez em torno da agressão dos EUA à Venezuela?
Falemos da vida e da realidade tal como ela é para a imensa maioria, e não como o senhor a pinta.
O problema dos trabalhadores e da juventude não é a falta de ambição ou motivação, o problema é o salário que é baixo, a precariedade que é muita, os contratos a prazo e os falsos recibos verdes que são demais; é a incapacidade de aceder a uma habitação, é o custo de vida, é a injustiça de quem tem uma vida apertada ao mesmo tempo que os grupos económicos apresentam lucros nunca vistos.
Ponha os pés na realidade, não acredite na sua própria propaganda.
Anunciou o aumento do Salário Mínimo Nacional em 50 euros como se estivesse a fazer um favor aos trabalhadores, mas senhor primeiro-ministro terá dado conta que o novo ano começou com mais um brutal aumento do custo de vida, tudo aumentou, desde logo naquilo que pesa e de que maneira na vida da maioria, alimentos e habitação?
Os tais 50 euros já foram ao ar mesmo antes de terem chegado ao bolso dos trabalhadores.
Empobrecer a trabalhar é o que está a acontecer a quem trabalha, desde logo para os 80% que ganham até 1500 euros brutos por mês e caso o seu pacote laboral fosse por diante, assim continuaria a ser.
Só que, como sempre a realidade impõe-se.
Esse pacote escrito pelo patronato e a quem PSD, CDS, Chega e IL dão voz, foi rejeitado pelos trabalhadores e pela juventude na enorme e expressiva demonstração de força e unidade que foi a greve geral de 11 de Dezembro.
O vosso pacote está rejeitado, deixo-lhe um desafio: retire o seu pacote laboral e transforme essa derrota numa oportunidade para o que se impõe: o pacote dos salários, do tempo para viver e da estabilidade, o pacote dos direitos, do respeito e da dignidade de quem trabalha desde logo da juventude.
O Pacote do desenvolvimento do País.







