Declaração de voto de João Ferreira no Parlamento Europeu

Marca do Património Europeu

Em geral, as alterações propostas pela relatora melhoram o texto inicial da Comissão.

Mas há também alguns aspectos negativos. Relativamente à promoção do multilinguismo, as alterações propostas pela relatora não tocam no aspecto central, não corrigindo a falha grave da proposta original. Com efeito, uma real e efectiva promoção do multilinguismo não se faz "mediante a utilização de diversas línguas da UE", mas sim mediante a utilização das diversas línguas da UE.

Mas mais importantes do que os objectivos específicos do relatório são as erradas concepções que esta ideia tem por detrás.
A Marca do Património Europeu (ou Marca do Património da UE) assenta no desenvolvimento da falácia da existência de uma identidade e cultura europeias únicas, assentes em valores como a "liberdade", a "democracia", etc.
Não existe uma “herança cultural da Europa” única. Toda a história cultural europeia, como toda a sua história em geral, não é construída apenas de diversidade e admirável energia criadora e de progresso, mas também de violento confronto antagónico, de intolerância, de múltiplas linhas e contextos de dominação cultural.

O domínio do património é particularmente sensível porque intimamente associado ao da História; razão fundada de sérias preocupações quanto ao alimentar de inquietantes processos de reescrita da História, a que temos assistido nos últimos tempos.

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