Intervenção

Intervenção de Ana Lourido, do Executivo da DOR Lisboa

Foi há 90 anos que nasceu o nosso Partido. A 6 de Março de 1921, fruto dos ecos da revolução de Outubro, mas também expressão da necessidade histórica da sociedade portuguesa e resultado da evolução do movimento operário português. O nosso Partido nasceu na luta, foi criado pela parte mais combativa e esclarecida da classe operária da altura. Desde então, a história do Partido tem estado profundamente ligada à história do povo português. Foi assim em 1929 com a sua transformação num partido de tipo leninista contribuindo para a multiplicação das lutas pela liberdade e contra o fascismo, contra a exploração, a fome e o desemprego. É nesta altura, a 15 de Fevereiro de 1931 que sai o primeiro número do Avante! Foi assim com a reorganização de 1940/1941 com a estabilização do trabalho de direcção e de organização do Partido e com a dinamização das grandes lutas das massas operárias e camponesas e tornando-se um grande Partido nacional. Foi assim nos anos 60 e no VI Congresso quando o Partido reafirmou que só com a luta da classe operária e do povo português seria possível derrubar do fascismo, liquidar o poder político e o poder económico dos monopólios e latifúndios e pôr fim à guerra colonial. Foi assim nas grandiosas lutas dos operários assalariados agrícolas do Alentejo e do Ribatejo na luta pelas 8 horas de trabalho. Foi assim no 25 de Abril de 1974 transformando, com a luta de massas, a realidade, conquistando direitos e respondendo aos mais profundos anseios e aspirações do nosso povo. Foi assim nestes últimos 35 anos, resistindo à ofensiva de direita dos sucessivos governos PS/PSD que, com ou sem CDS, têm tentado liquidar estas conquistas. Comemoramos pois, com orgulho, os 90 anos de história do nosso Partido. Ontem como hoje, sempre ao lado da classe operária e dos trabalhadores Ontem como hoje na luta! E continuamos a lutar contra a ofensiva do governo PS contra os trabalhadores e as populações. Os ataques aos direitos de quem vive do seu trabalho são a marca de classe deste governo e das suas políticas. A situação social é marcada pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores, por exemplo, no Hotel Cidadela em Cascais com salários em atraso. Os despedimentos e insolvências, a pressão e repressão sobre os trabalhadores e a concretização das medidas decorrentes do Orçamento de Estado e o aumento geral do custo de vida têm marcado a realidade dos distritos de Lisboa e Setúbal. Só com a luta é possível travar esta ofensiva. E os trabalhadores têm demonstrado que não desistem! Não desistem dos seus direitos, não desistem das suas conquistas e não desistem de lutar! Daqui saudamos a luta dos trabalhadores dos transportes: dos trabalhadores do Metro, da Carris, da EMEF, da CP e CP Carga, da Transtejo e da Soflusa, que em Fevereiro desencadearam uma semana de luta e vão continuar a lutar pela defesa da contratação colectiva e contra a redução e pelo aumento dos salários. Saudamos os trabalhadores da Administração Pública em luta contra o roubo nos salários e a retirada de direitos e pela coragem contra a repressão policial e a tentativa de intimidação e pressão por parte do Governo. Saudamos os trabalhadores da REN em luta contra os cortes e pelo aumento dos salários e pelo acordo colectivo de trabalho, os pescadores do estuário do Tejo contra as alterações ao regime contributivo. Saudamos os trabalhadores da Secil que paralisaram em 3 dias de greve por aumentos salariais. Saudamos a luta das mulheres que hoje realizaram um cordão humano e assim, em luta, lembraram o dia internacional da mulher. Saudamos também as populações em luta contra o aumento das rendas nos bairros sociais, contra o corte nas carreiras de transporte e a privatização das linhas de comboios, contra o encerramento de centros de saúde e por mais médicos e melhores condições materiais e humanas. Saudamos as lutas marcadas pelos trabalhadores da EMEL, do Metro, da Transtejo, da Valorsul, da ACCIONA e da SetClean, dos hipermercados, das cantinas e refeitórios, do café brasileira, do hotel cidadela, dos trabalhadores do município de Loures e muitas outras. Apelamos aos trabalhadores dos distritos de Lisboa e Setúbal para que continuem essa luta no dia 19 de Março em Lisboa e compareçam em massa na grande Manifestação Nacional convocada pela CGTP- Intersindical Nacional. Dia 19 de Março podem contar connosco! Nós, comunistas, honrando o Partido e os seus 90 anos de história dizemos presente! Participaremos nesta jornada e vamos intervir no sentido de trazer mais e mais gente à luta para que dia 19 seja um mar de gente que conflua em Lisboa. Também para dia 1 de Abril está convocada uma manifestação de jovens trabalhadores que desde já temos de divulgar e mobilizar. Camaradas, a história do nosso Partido somos nós que a construimos todos os dias. Com a nossa acção e intervenção junto dos trabalhadores e do povo português. Só um Partido forte e organizado pode dar resposta às exigências do tempo que atravessamos. A campanha Avante por um PCP mais forte, deve ser levada a cabo sem hesitações em todas as suas vertentes. O reforço do partido nas empresas e locais de trabalho, recrutamento, a responsabilização de quadros, o aumento da capacidade financeira, particularmente através da quotização, a promoção do avante e do militante, a formação ideológica, são eixos fundamentais do reforço do Partido. Com o objectivo de reforçar o Partido e a luta dos trabalhadores, as organizações regionais de Lisboa e Setúbal preparam as suas Assembleias. A VIII Assembleia da Organização Regional de Setúbal a 10 de Abril e a VII Assembleia da Organização Regional de Lisboa a 28 de Maio. E continuaremos a honrar a história do nosso Partido ligando a realização destas Assembleias ao reforço do Partido e da sua organização e ao alargamento da luta dos trabalhadores intervindo sobre a realidade que queremos transformar. Camaradas, a história do nosso Partido é uma história de dedicação de gerações e gerações de comunistas pelo fim da exploração do homem pelo homem, pelo fim das desigualdades e das injustiças sociais. Uma história que, ao contrário do que alguns paladinos da ideologia dominante não se cansam de apregoar, não acabou. Uma história que continua connosco. Uma história que vai continuar ano após ano, geração após geração. Estamos aqui hoje, neste grande comício, e aqui afirmamos, com profunda convicção, que a luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português, acabará por impôr a alternativa de esquerda necessária e a sociedade mais justa que desejamos, a terra sem amos, o socialismo e o comunismo. Ontem como hoje aqui estamos, a construir o futuro. Viva a Juventude Comunista Portuguesa! Viva o Partido Comunista Português!