Fecho da Mina de Aljustrel é um crime contra a região


 
1. O encerramento da Mina de Aljustrel, anunciado pela Lundin Mining Corporation, proprietária da Pirites Alentejanas, constitui um crime contra a economia e a sociedade do concelho de Aljustrel e do Alentejo. Trata-se de uma decisão gravíssima que provocará centenas de despedimentos imediatos e terá forte impacte negativo no desenvolvimento local e regional.


2. A Comissão Concelhia de Aljustrel do PCP – que, no início desta semana, já havia alertado para problemas na empresa – reafirma, antes de tudo, a sua total solidariedade com os trabalhadores da Pirites Alentejanas e subcontratados e com a população do concelho, que conhece já a experiência amarga do anterior fecho da mina, durante 15 anos (1993/2008).


3. Esta “suspensão da actividade produtiva” (que atinge também, em parte, a mina de Neves-Corvo), alegadamente devido ao baixo preço internacional do zinco, é da responsabilidade do grupo canadiano/sueco proprietário da mina e também do Governo PS e seus representantes no distrito de Beja (governador civil, deputados e outros responsáveis).


Há responsabilidades da Lundin Mining pela forma gananciosa como tem gerido a Pirites Alentejanas, preocupando-se apenas com a obtenção de lucros máximos em tempo mínimo e “esquecendo-se” da situação dos trabalhadores e da terra de onde exploram a riqueza.


Há responsabilidades também, e sobretudo, do Governo, que faz negociatas com grupos económicos estrangeiros sem revelar os seus contornos (como no caso da privatização da Pirites Alentejanas); cujo primeiro-ministro propagandeia a “retoma” da actividade mineira (ainda há seis meses José Sócrates, com o ministro da Economia, veio a Aljustrel garantir centenas de empregos e elogiar o investimento “exemplar” na mina!) mas é incapaz de exigir que a empresa, apoiada com milhões de euros pelo Estado, mantenha a actividade produtiva quando os lucros diminuem.
4. Neste contexto, são de grande hipocrisia as palavras do governador civil de Beja e de um responsável do PS de Aljustrel, tentando desculpabilizar Sócrates e atribuindo a culpa do fecho da Mina à “crise internacional”. Pois é: este Governo tem milhões e milhões para evitar a falência dos bancos – até já nacionalizou um, vitimado por gestão fraudulenta – mas assobia para o lado quando se trata de salvar centenas de postos de trabalho em Aljustrel.
5. O PCP lutará pela normalização da actividade produtiva na Pirites Alentejanas e tudo continuará a fazer em defesa dos interesses dos trabalhadores e da população do concelho de Aljustrel.

Aljustrel, 13 de Novembro de 2008

A Comissão Concelhia de Aljustrel do Partido Comunista Português