A estratégia "Europa 2020" vai revelando a sua verdadeira agenda. O último Conselho Europeu veio confirmá-la. Mais liberalizações; avanço do mercado sobre novas áreas; flexibilização laboral; ataques sem par a salários e a direitos sociais.
Os instrumentos para a implementação desta agenda estão definidos: a chamada "governação económica" e o recente "pacto para a competitividade", imposição da Alemanha e da França.
Na prática, querem generalizar e impor como regra o que está a ser imposto pela UE e pelo FMI em diversos Estados-Membros, ao abrigo dos perversamente chamados "planos de ajuda", com consequências devastadoras no plano económico e social.
A aplicação das medidas agora propostas escamoteiam as reais causas da difícil situação económica e social de países como Portugal. Pior, teria consequências particularmente graves para esses países e para as condições de vida dos seus povos.
Estamos perante uma gravíssima ameaça aos direitos dos trabalhadores e dos povos da Europa, que assume contornos de cruzada revanchista contra direitos laborais e sociais, procurando nivelá-los por baixo, por via do ataque aos salários, do aumento da idade da reforma e da eliminação de restrições à circulação da força de trabalho na UE - criando condições para a sua desvalorização e para uma ainda maior flexibilização das leis laborais.