10 e 11 de Dezembro de 2021

Contributo do Partido Comunista Português à tele-conferência extraordinária do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Contributo do Partido Comunista Português à tele-conferência extraordinária do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Caros camaradas,

Gostaríamos de agradecer ao Partido Comunista da Grécia e ao Partido Comunista da Turquia o acolhimento desta tele-conferência extraordinária do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários e de saudar fraternalmente todos os partidos participantes, cujas contribuições valorizam esta iniciativa.

Camaradas,

A evolução da situação internacional conhece um sério e perigoso agravamento, em resultado da intensificação da ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo. Simultaneamente, mostra que prossegue por todo o mundo – nas mais diferenciadas condições, assumindo variadas formas e apontando diversificados objectivos – a resistência e luta dos trabalhadores e dos povos.

No contexto da agudização das contradições do capitalismo, o grande capital está a instrumentalizar a situação de pandemia para agravar a exploração dos trabalhadores, impor o retrocesso social, atacar liberdades e a democracia, animar a ofensiva ideológica reaccionária e anti-comunista, fomentar a concentração monopolista e impor o seu domínio económico e político – lançando para cima dos trabalhadores e dos povos os custos de uma crise que se anunciava e que a pandemia veio acelerar, agravando brutalmente as desigualdades sociais e de desenvolvimento entre países.

As contradições entre os EUA, as grandes potências da UE e o Japão, no quadro do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo são, simultaneamente, acompanhadas, no binómio concertação-rivalidade inter-imperialista, da sua cooperação de classe contra os trabalhadores e os povos.

Procurando gerir e atenuar as contradições com as outras grandes potências imperialistas, a Administração norte-americana, presidida por Biden, confirma o objectivo dos EUA de, por todos os meios ao seu alcance, tentarem contrariar o seu declínio relativo e alinhar os seus aliados – a começar pela NATO e a União Europeia – com a sua estratégia de domínio hegemónico mundial.

Do Médio Oriente à América Latina, de África à Europa e à Ásia, o imperialismo norte-americano, com o apoio dos seus aliados, prossegue e intensifica a sua agressão contra países e povos que não se submetam aos seus ditames e que afirmem a sua soberania, agravando a sua política de confrontação contra a China e a Rússia, que aponta como seus adversários estratégicos.

Com este propósito, os EUA fomentam a corrida aos armamentos e incrementam alianças e parcerias militares para além da NATO, como a AUKUS ou o QUAD, com que visam provocar o confronto na região Ásia-Pacífico.

A União Europeia, onde se acentuam contradições, dá novos passos na sua militarização como pilar europeu da NATO, ao mesmo tempo que promove a sua política neoliberal e federalista, determinada pelos interesses das suas grandes potências e dos monopólios.

Para sustentar a sua política agressiva, que afronta os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional, o imperialismo norte-americano promove uma hipócrita e falsa “cimeira da democracia”, quando na realidade é responsável por uma política de sistemático desrespeito da soberania e da democracia, apoiando regimes autoritários e fascizantes, promovendo golpes de Estado, impondo sanções e bloqueios, agredindo militarmente países e povos, sendo responsável pela iníqua negação de direitos fundamentais a milhões de seres humanos.

Camaradas,

Se a situação internacional reflecte as consequências da intensificação da ofensiva do imperialismo, ela também é marcada por significativas expressões de resistência e de luta, que demonstram que o imperialismo não tem as mãos livres para impor os seus intentos.

Assume uma enorme importância o desenvolvimento da solidariedade internacionalista e da luta pela paz, contra as agressões e ingerências do imperialismo, contra a NATO e pela sua dissolução, pelo fim das sanções e dos bloqueios, pelo respeito dos direitos e da soberania dos povos, dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.

O PCP expressa a sua solidariedade com a Síria e o seu povo, com o povo palestiniano, com o povo iemenita, com Cuba socialista, com a Venezuela bolivariana, com a Nicarágua sandinista, com o povo sarauí, com o povo cipriota, com os países e povos que enfrentam a agressão, a ocupação, a ingerência, o bloqueio do imperialismo.

O PCP expressa a sua solidariedade com as lutas populares na Índia, na Colômbia, no Sudão, no Brasil, com as lutas populares que alcançaram importantes vitórias em diversificados países, com as lutas em defesa da liberdade, da soberania, da democracia, dos direitos laborais e sociais, por transformações progressistas e revolucionárias, pelo socialismo.

O PCP considera da maior importância e está empenhado no fortalecimento do movimento comunista e revolucionário internacional e no reforço da sua cooperação, solidariedade reciproca e unidade na acção, assim como na convergência e construção de uma ampla frente anti-imperialista que detenha e faça recuar a ofensiva do imperialismo e abra caminho à construção de uma nova ordem internacional de paz, soberania e progresso social.

Considerando que grandes perigos de retrocesso social e civilizacional coexistem com reais potencialidades de avanços progressistas e revolucionários, e que no plano mundial os tempos são ainda de resistência e de acumulação de forças, os comunistas e outros revolucionários devem estar preparados para rápidos e imprevistos desenvolvimentos.

Camaradas,

O capitalismo, o aprofundamento da sua crise estrutural, a sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora, as ameaças e os perigos que comporta, a agudização das suas contradições, a sua incapacidade para dar resposta aos problemas e aspirações da Humanidade, colocam com redobrada actualidade a necessidade de transformações anti-monopolistas e anti-imperialistas, do desenvolvimento de processos revolucionários que apontem como objectivo o socialismo, independentemente das fases e etapas e das formas que vierem a assumir de acordo com a situação concreta de cada país.

A superação revolucionária do capitalismo e a construção de uma sociedade nova liberta da exploração são uma exigência da actualidade e do futuro.

Profundamente ligado aos trabalhadores e povo português, o PCP continua com confiança a sua luta pela ruptura com a política de direita, por uma alternativa patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada com os valores da Revolução de Abril, pelo socialismo.

Camaradas,

Valorizando a realização desta tele-conferência extraordinária e empenhado em continuar a contribuir para o processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários, o PCP gostaria de partilhar convosco que informou da sua disponibilidade de acolher em Portugal, durante o primeiro trimestre de 2022, uma reunião presencial do Grupo de Trabalho do EIPCO, em data a precisar ulteriormente e tendo em consideração os desenvolvimentos em torno da pandemia.

Viva o internacionalismo proletário!
Viva a solidariedade internacionalista!

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