De há muitos governos (PS / PSD / CDS-PP) a esta parte que a internacionalização da economia, a par e em articulação com a exportação, é / são apresentadas como as estratégias de política económica, capazes de salvar / desenvolver a economia nacional. A tese tornou-se particularmente maximalista e visível desde a adesão ao euro. Enquanto isso, as políticas económicas para o País, induzidas / apoiadas / justificadas pelas políticas comunitárias, destruíram o tecido económico nacional, e em particular os sectores produtivos.
Para não ficar atrás nem fazer diferente, aí temos mais um governo (PSD/CDS-PP) que, enquanto afunda o País numa recessão profunda, levando a falência milhares de empresas, acena novamente com a solução milagrosa da internacionalização (e da exportação). Uma manobra de diversão política que vai certamente consumir vultuosos fundos públicos, enquanto um grupo de «sábios» estuda / faz propostas de organização da diplomacia económica, fundindo e refundindo organismos e departamentos da estrutura económica do aparelho do Estado!
Seria talvez politicamente interessante, e relevante para a contenção orçamental, alguma reflexão crítica sobre as teorias, experiências e práticas das estratégias de internacionalização levadas a cabo pelos anteriores governos do PSD / Cavaco Silva, PS / António Guterres, PSD / CDS-PP / Durão Barroso / Paulo Portas, PSD / CDS-PP / Santana Lopes / Paulo Portas e PS / José Sócrates, antes do novo «mergulho» internacional!
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito ao Governo que, por intermédio do Ministro da Economia e do Emprego me sejam prestados os seguintes esclarecimentos:
1. Que avaliação crítica existe sobre a experiência e a prática da internacionalização da economia realizada pelos gabinetes / departamentos / estruturas de sucessivos ministérios da Economia, de sucessivos governos desde 1987? Solicitava a documentação existente sobre o assunto;
2. Solicitava uma informação sobre o consumo de fundos públicos (custos de diplomacia económica, apoios a empresas e associações empresariais, nomeadamente na presença em feiras internacionais, etc.) - nacionais e comunitários - dos três últimos Quadros Comunitários de Apoio (QCA) com esse objectivo. Solicitava igualmente o número de empresas envolvidas em processos de internacionalização, em cada um desses QCA;
3. Solicitava uma informação sobre o volume de verbas do QREN despendidas na internacionalização da economia (custos de diplomacia económica, apoios a empresas e associações empresariais, nomeadamente na presença em feiras internacionais, etc.) até Dezembro de 2010. Solicitava uma informação sobre o número de empresas que beneficiaram desses apoios;
4. Qual ou quais os resultados mais visíveis desses projectos de internacionalização?
Solicitava uma informação sobre as cadeias / plataformas de comercialização no estrangeiro, pertencentes a empresas portuguesas para exportação da produção nacional;
5. Que empresas avançaram nesse sentido - cadeias / plataformas de comercialização no estrangeiro - apoiadas por fundos públicos e estão hoje retiradas desses mercados? O que explica tais situações?
6. Solicitava uma informação das ajudas dadas a empresas do PSI 20, com o objectivo da sua internacionalização, discriminadas por empresa;
7. Que avaliação é feita do destino dos resultados das operações e de entidades criadas no estrangeiro ao abrigo da dita internacionalização? Que fluxos de rendimentos regressam ao País? Quais os valores das imposições fiscais nacionais sobre esses fluxos?
Pergunta ao Governo N.º 981/XII/1
Apoios à internacionalização da economia
