No início da semana passada, os trabalhadores da Meister Benelux, em Louveigné (Bélgica), tomaram conhecimento, durante uma reunião do conselho de empresa, que a direcção queria deslocalizar uma parte significativa da produção para a República Checa em 2012. Os sindicatos exigiram a negociação com a direcção da empresa (uma subsidiária da Volkswagen), mas esta recusou qualquer diálogo. Em face desta atitude, os trabalhadores bloquearam a saída da produção da empresa, como forma de protesto pela falta de diálogo, recusando a sua deslocalização e a mais do que provável perda de muitos postos de trabalho. A direcção da empresa constituiu uma milícia privada de indivíduos vindos da Alemanha que irromperam pela empresa, armados com bastões, equipamento para lançar gás e coletes à prova de bala, expulsando os trabalhadores e tentando fazer sair, pela força, a produção bloqueada. Tomando conhecimento do que estava a acontecer, várias delegações de trabalhadores da região concentraram-se junto à empresa, determinados a impedir a saída da produção. Durante a noite, com escolta policial, os milicianos abandonaram a empresa, sem conseguirem um dos seus intentos: fazer sair a produção bloqueada. A acção da polícia é motivo do mais vivo repúdio, já que nada fez para desarmar e parar os milicianos neste acto terrorista contra os trabalhadores. Mais: a polícia recusou-se mesmo a aceitar a queixa dos trabalhadores molestados e os milicianos não foram objecto de nenhuma acção administrativa ou judicial, sendo mesmo escoltados pela polícia até à fronteira.
Este bárbaro ataque aos direitos dos trabalhadores junta-se a muitos outros que por toda a UE vão tendo lugar. Neste caso, os patrões da empresa utilizaram a "livre circulação" dentro da UE para organizar uma acção de tipo paramilitar, violentando os trabalhadores.
Assim, perguntamos à Comissão:
1. Que avaliação faz destes acontecimentos?
2. Que medidas estão a ser tomadas para que não se voltem a repetir situações idênticas?
3. Que medidas estão a ser tomadas para defender os direitos dos trabalhadores e impedir a deslocalização de empresas, cujo único propósito, como a realidade tem demonstrado, é aumentar os lucros?