Intervenção de Bernardino Soares, XVIII Congresso do PCP

Actividade do Grupo Parlamentar do PCP na AR

 

 

Intervenção de Bernardino Soares
Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP

Camaradas
Vivemos há quatro anos sujeitos a uma maioria absoluta e a um Governo que leva por diante uma brutal ofensiva de agravamento da política de direita, de ataque aos direitos constitucionais e de benefício dos poderosos. Os trabalhadores e o nosso povo têm respondido com fortes acções de massas, em particular as organizadas pelo movimento sindical, impedindo e dificultando o avanço das políticas de direita.

É neste quadro que assume capital importância o trabalho do Grupo Parlamentar na Assembleia da República que, integrado na orientação e acção geral do Partido, tem papel destacado no apoio à luta de massas, no combate às medidas do Governo, na apresentação da política alternativa que queremos para o nosso país e, não menos importante, na demonstração de que os comunistas e o seu Partido, também no plano institucional, têm um património único de coerência, de trabalho e luta e de seriedade.

Assistimos à sistemática amálgama em que convenientemente são arrumados todos os partidos e deputados, visando por um lado limpar as responsabilidade dos que ao longo de mais de trinta anos no Governo nos têm desgovernado e por outro impedir ou dificultar a consciência de que é no reforço do PCP que reside o caminho para uma alternativa política e um futuro melhor no nosso país.

Não! Os Partidos não são todos iguais! Os Deputados não são todos iguais!

Os deputados comunistas são diferentes porque diferente é o seu Partido. Orientamos a nossa actividade por elevados padrões éticos, incluíndo não sermos beneficiados nem prejudicados pelo exercício do cargo para que o Partido nos propôs e fomos eleitos. Determinamos a nossa acção por uma permanente disponibilidade para o contacto com as populações e com os trabalhadores. Estamos nas lutas, nas empresas e locais de trabalho ou na defesa dos serviços de saúde.

O nosso grupo parlamentar apresentou já nesta legislatura 166 projectos de lei, 127 projectos de resolução, 63 apreciações parlamentares e mais de 3000 perguntas e requerimentos ao governo, colocando as mais diversas questões. O nosso grupo parlamentar realizou centenas de visitas encontros por todo o país e respondeu a todos os que o contactaram. É um trabalho único que só é possível porque somos um Partido ligado aos trabalhadores, às populações e aos seus problemas.

Ainda agora no debate do Orçamento do Estado que terminou apresentámos centenas de propostas de alteração, incluindo uma tributação extraordinária sobre a riqueza e rendimentos elevados, a incidir sobre os rendimentos especulativos, os grandes salários, casas e bens de luxo, revertendo para as prestações sociais e as reformas mais baixas.

Lutamos pela maior projecção pública possível da política alternativa que o PCP propõe para o país, com as intervenções e as iniciativas que em cada momento respondem aos anseios dos portugueses e às necessidades do país.

Foi assim que antes do Verão apresentámos 7 medidas urgentes de efeito imediato na vida das pessoas, entre as quais a da intervenção do Estado através da Caixa Geral de Depósitos, no sentido de baixar as prestações da habitação. Foi assim que propusemos a alteração da injusta forma de cálculo das pensões que penaliza quem se reforma, tendo o Governo cedido finalmente a alterá-la no debate orçamental, embora não pagando os mais do que justos retroactivos. É assim que discutiremos na próxima semana o nosso projecto de suspensão do regime da avaliação que o Governo quer impor aos professores, e ainda este mês a alteração das regras do segredo de justiça que dificultam seriamente as investigações sobre a criminalidade económica e financeira.

Ao contrário de outros não falamos apenas do que é notícia, não vivemos para a frase sonante. Intervimos e falamos do que não está nas prioridades de quem comanda a agenda mediática. Falamos da luta de classes nas empresas e locais de trabalho; do interior esquecido pelos governos; dos crescentes ataques às liberdades democráticas e limitações à acção sindical e à acção política, de que são alvo os estudantes, os trabalhadores e o movimento sindical unitário, o Partido e a JCP. Reafirmamos a importância da soberania nacional e da intervenção pública nos sectores estratégicos e nas áreas sociais.

A Assembleia da República é também e cada vez mais local de forte combate ideológico, palco do  reaccionarismo dos que pretendem reescrever a história, lugar de difusão das ideias do “pensamento único”. E por isso é lugar de afirmação dos nossos ideais, de rejeição do “fim da história” que desejariam impor aos povos e das inevitabilidades com que julgam ter convencido os portugueses. Ali o nosso Partido faz a prova de que é possível outra política e de que outra sociedade pode ser conquistada pelo nosso povo.

Também no Parlamento, a luta, a intervenção e o combate, por uma sociedade mais justa, pelo Socialismo, são para continuar, com o entusiasmo, a determinação e a força de integrarmos este nosso grande colectivo partidário, o Partido Comunista Português.

VIVA O XVIII CONGRESSO!
VIVA O PCP!

 

 

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