Intervenção de Paulo Raimundo, Secretário Geral do PCP, Festa / Convívio CDU

Se o desenvolvimento de um país fosse medido pelas privatizações, o nosso país estaria no topo

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Aqui estamos, confiantes, determinados, cheios de vida e com uma imensa alegria de viver, de lutar e de transformar.

Os desafios que enfrentamos são muitos, mas não são suficientes para nos desanimarem, pelo contrário, cada um deles dá-nos ainda mais força.

Não menosprezamos as dificuldades, mas cá estamos, firmes, determinados, com uma alegria imensa de viver e de lutar.

E é assim, para irritação dos protagonistas e beneficiários da política de direita.

Desses protagonistas e beneficiários, desses contentes e muito confortáveis com a actual situação.
Desses que utilizam todos os meios que têm, que são muitos e poderosos, para mentir, deturpar, silenciar e manipular.

Mas é caso para dizer, que tranquila seria a vida deles se não houvesse quem lhes desse combate e mobilizasse contra a sua política de exploração.

Que jeito lhes daria que ninguém denunciasse o escândalo de 42% de toda a riqueza estar nas mãos dos 5% mais ricos.

Uma concentração à custa dos 3 milhões trabalhadores que ganham até mil euros brutos por mês, dos 2 milhões de pessoas na pobreza, à custa das 345 mil crianças em risco da pobreza, dos 400 mil idosos que vivem com rendimentos até 551 euros.

Que bom seria a banca manter os seus 10,7 milhões de euros de lucros por dia intocáveis, enquanto milhares e milhares todos os dias fazem os possíveis, e impossíveis, para aguentar o seu maior bem, a sua casa, o seu tecto, com prestações e rendas impossíveis de aguentar.

É assim em todo o País, tal como é aqui em Braga.

Uma cidade até aqui conhecida por ter habitação barata comparativamente com outras cidades.

Mas hoje é o rolo compressor a que se assiste em todo o lado, quartos a 650 euros, famílias a viver em anexos e a fazerem de garagens a única possibilidade de habitação.

O jeito que lhes daria fazer caducar de vez a contratação colectiva, transformar tudo em contratos precários e desregular por completo os horários.

Mas aí está a resistência, aí está a luta, aí está a unidade dos trabalhadores, aí estão as suas conquistas.

É a luta que está a impor aumentos de salários e consagração de direitos nas empresas, foi a luta que impôs ao Governo medidas como nas pensões, salários, habitação.

Medidas limitadas, insuficientes ou de mera propaganda, mas que objectivamente destrancaram a porta das medidas, agora é preciso escancarar essa porta.

Que jeito daria aos que fazem da doença um negócio, que encaixam de transferência do Orçamento do Estado 6 mil milhões de euros, que saem dos nossos bolsos direitinhos para os seus cofres, que jeito lhes daria que o Serviço Nacional de Saúde, apesar de todos os ataques e dificuldades, não fosse defendido com unhas e dentes, pelos seus profissionais, pelos utentes e pelos democratas.

Veja-se o exemplo aqui do Hospital de Braga. Gastou 13,7 milhões de euros para fazer 19 200 cirurgias em instalações privadas e em misericórdias, uma opção que permitiu ainda assim poupar bastante face à alternativa dos cheques-cirurgia.

Uma medida imediata que não dispensa o que se impõe, a construção do edifício de cirurgia de ambulatório, proposta do PCP e chumbada por PS, PSD, IL e Chega, mas da qual nem nós nem os profissionais e utentes desistimos.

Que jeito lhes daria se assistíssemos sentadinhos no sofá à apropriação das riquezas do País e que déssemos por perdida a TAP.

A TAP, a maior empresa exportadora nacional, não aceitamos que seja entregue aos interesses do grande capital.

Perderiam os trabalhadores, perderia o País.

O nosso voto contra o relatório da comissão de inquérito deve-se nem tanto  ao que está escrito, mas por aquilo que não está lá, a identificação da privatização da TAP como o que é, um crime político e económico.

E por falar em transportes, que jeito lhes daria que abdicássemos da ligação ferroviária directa entre Braga e Guimarães e da intermodalidade tarifária, aqui na região.

Que jeito lhes daria que nos deixássemos levar pelas medidas do Governo sobre as creches.
Tudo ao contrário do que deveria ser.

Não precisamos de desregular as creches para corresponder à desregulada, instável e precária vida que levamos e os seus horários impossíveis.

Não precisamos que as crianças vão para o trabalho dos pais, o que precisamos é que os pais passem menos horas no trabalho para estarem mais tempo com os seus filhos, é esse o caminho que se impõe.

O que precisamos é de criar mais creches públicas que respondam às  longas listas de espera, tal como são exemplo os 900 pedidos em lista de espera nas dezenas de instituições em Guimarães.

Que jeito lhes dão os benefícios fiscais que todos os anos nos levam, dos bolsos de cada um de nós, pelo menos, mil milhões de euros por ano, que jeito lhes dão os preços dos bens essenciais e dos alimentos não serem controlados.

Que jeito lhes dá a guerra.

Para eles mais destruição é igual a mais lucros, não interessa quantos morrem, interessa é quanto cai nos seus cofres.

E que triste é assistir ao permanente rufar dos tambores da guerra, à constante confrontação que se pode elevar a  patamares irreversíveis.

Que triste é ver o seguidismo do Governo português em confronto com a própria Constituição da Republica.

Que jeito lhes daria que nos calássemos ou nos deixássemos levar pelo sabor dos ventos ou das marés.

Que bom seria para eles que desistíssemos da política alternativa ao serviço dos trabalhadores e do povo.

Que bom que era, para eles. Era, mas não é.

Cá estamos, não para fazer jeitinhos aos grupos económicos.

Estamos cá, isso sim, para lhes fazer frente e de frente.

Cá estamos, por inteiro, ao serviço dos trabalhadores, das populações, da juventude, reformados, micro, pequenos e médios empresários, ao serviço de todos e de cada um que é alvo da política que todos os dias nos empurra para baixo.

São estes os interesses e os únicos interesses que servimos.

E perante a actual situação, perante os desenvolvimentos recentes,  a questão que se levanta é saber qual o caminho que se coloca aos trabalhadores e ao povo.

Manter e sustentar uma política contrária aos seus interesses ou tomar nas mãos a construção da sua alternativa?

Manter e sustentar uma política que se move ao sabor das vontades e interesses dos grupos económicos mesmo que seja por cima de tudo e de todos, ou levar por diante uma opção que responda aos seus próprios direitos?

Manter e sustentar partidos que na hora da verdade revelam sempre ao serviço de quem estão, ou dar força ao seu Partido que está sempre ao seu lado?

Manter uma política que concentra lucros nas mãos de um punhado ou avançar de forma decidida pelo aumento de salários e pensões; assegurar e conquistar direitos laborais, contratos permanentes, horários regulados; controlar preços e acabar com a especulação; proteger a habitação, impedir despejos e penhoras, construir habitação pública; concretizar uma política fiscal justa, que alivie os rendimentos do trabalho e tribute quem mais tem; garantir serviços públicos, cuidados de saúde, educação, segurança social, transportes, serviço postal, creches, cultura, desporto e lazer; na hora de defender a soberania, a paz e a cooperação entre os povos?

É este o desafio que está colocado aos trabalhadores, ao povo e aos democratas.

Hoje é evidente que as soluções que cada um de nós precisa, que as respostas aos problemas do País não se encontram na maioria do PS nem no PSD e seus apêndices.

Hoje já muitos perceberam que, na hora da verdade, lá está o PCP com os trabalhadores e o povo. Na hora da verdade, voto dissonante aqui, abstenção acolá, decibéis mais acima ou mais abaixo, lá estão PS, PSD, IL, Chega e CDS, juntinhos e bem unidos para rejeitar as soluções que servem aos trabalhadores, ao povo e ao País.

Esta é que é a realidade, o resto é propaganda.

A propaganda da economia que cresce por todos os lados mas os trabalhadores e as populações não sentem nada.

A conversa da inflação que baixa, mas os preços não baixam, o custo de vida aumenta na mesma proporção que crescem os lucros.

A campanha de propaganda de grande dimensão onde tudo é assunto menos a vida e os problemas concretos, onde tudo é importante menos a realidade da vida, onde os casos e casinhos ganham centralidade e a vida  de quem trabalha, as dificuldades de quem trabalhou uma vida inteira, passam ao lado.

A demagógica e perigosa campanha de ataque aos partidos e à democracia, que procura criar a ideia de caos generalizado.

Da nossa parte falamos do que importa, falamos do que é necessário e urgente, falamos das soluções para a vida, falamos de um País de presente e de futuro, e que tem gente capaz de o levar por diante.

Enquanto outros querem o acessório, nós queremos soluções para os problemas.

Enquanto outros procuram iludir, nós queremos aumento geral dos salários e das pensões.

Enquanto outros querem distracções, nós queremos que a banca pague com os seus lucros os aumentos das taxas de juro, que se fixe o spread máximo em 0,25%, que se avance para a moratória, tal como foi criada na altura da Covid-19, por um máximo de dois anos.

Enquanto outros querem que falemos de tudo menos do que interessa, nós queremos que os preços dos bens essenciais sejam fixados e que se reduzam.

Enquanto outros afirmam querer mudar isto e aquilo para que tudo fique na mesma e ao serviço dos grupos económicos, nós queremos acabar com a injustiça.

Enquanto uns enchem a boca com impostos, nós propusemos e eles chumbaram a redução dos impostos para quem trabalha e trabalhou uma vida inteira, a diminuição do IVA na electricidade, gás e telecomunicações, mas ao mesmo tempo, o aumento de impostos aos grupos económicos e aos seus lucros.

Todos já percebemos que quando o PCP e a CDU avançam e se reforçam a vida de cada um também avança.

Se assim é vamos então dar mais força à alternativa, vamos dar mais força ao PCP e à CDU e com confiança, luta e determinação, construir a política que nos serve.

Se é verdade que é a grande maioria que é alvo da política de direita, que é alvo das injustiças, que é a grande prejudicada com a desigualdade, também é verdade que quando esta enorme maioria, quando os trabalhadores e o povo perceberem a força que têm, quando perceberem a força da sua luta,
a força da sua unidade, a força da sua força, então é mais que certo que as coisas vão ter de mudar e essa é a grande potencialidade do momento actual.

Apesar das noticias que vamos ouvindo, apesar dos casos e muitos que conhecemos, apesar disso tudo,
O País não é isso, há gente séria, há gente capaz de construir o caminho que interessa aos trabalhadores e ao povo.

É este processo de luta, política e social que está em curso, que dará resposta aos problemas que enfrentamos.

É preciso muito trabalho, muita intervenção, muita insistência, muito esclarecimento, muita paciência. Mas também muita confiança, muita alegria. A alegria que sentimos em iniciativas como esta.

Mas não só. A alegria genuína e contagiante que sentimos na nossa luta do dia-a-dia por uma causa que é bela, justa e invencível.

Por isso não nos falta ânimo para todas as tarefas que temos pela frente. Vamos a elas!
 

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