Intervenção de Alma Rivera na Assembleia de República

«Esta é uma oportunidade de responsabilizar quem realmente ganha com a delapidação dos recursos»

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Discutimos uma vez mais propostas com o objectivo de reduzir as embalagens ao estritamente necessário, evitando mais resíduos e o desperdício de mais recursos.

Se olharmos para o que comummente consumimos, por exemplo, no supermercado vamos encontrar dois tipos de realidade:

-produtos cuja embalagem é essencial para sua preservação e transporte

-e produtos envoltos em sacos, saquinhos, invólucros, caixas e mais adesivos promocionais.

Ou seja, se excluirmos os primeiros, o que se passa com as embalagens está muito para lá do cumprimento do seu papel essencial, de preservação do produto, da sua qualidade e individualização.

Tal é assim porque a apresentação dos produtos é feita para fomentar o consumismo e por opções de marketing das empresas, para venderem mais produtos, incentivando as pessoas a adquirirem produtos que não necessitam ou cuja embalagem é manifestamente exagerada ou sobredimensionada.

Não só tudo isto antagoniza com a preservação da natureza, conduzindo a um desperdício económico, energético e ambiental como ainda significa a transferência de mais custos para o consumidor.

Porque o produtor ou distribuidor opta por esse tipo de embalagem e cobra-a ao consumidor, e o consumidor não só paga uma embalagem que não quer e não precisa, como ainda tem de pagar taxa de reciclagem correspondente.

Todo este disparate com o único objectivo de maximização dos lucros.

Como é óbvio é preciso parar esta esta insensatez e irracionalidade!

Por isso, aquilo que hoje propomos é que se estabeleçam regras para as embalagens, fazendo com que elas sirvam exclusivamente o seu propósito, minimizando o desperdício de recursos.

A regra passaria a ser a adequação da apresentação dos produtos às reais necessidades, com a utilização do mínimo de materiais, de número de embalagens, de opção por embalagens reutilizáveis.

E, em casos específicos, quando exigível pela natureza do produto, adequar-se-ia e reforçar-se-ia o embalamento. E acautelamos naturalmente assim a segurança e qualidade dos produtos.

O PCP não alimenta uma lógica de perseguição e culpabilização de cada indivíduo pela degradação ambiental. Aliás, nem faria sentido: problemas sistémicos exigem soluções sistémicas como em vários momentos temos aqui dito.

E esta é uma oportunidade de não ser o povo a pagar, com mais taxas ditas ecológicas, e sim responsabilizar quem realmente ganha com a delapidação dos recursos, na voragem de vender e lucrar.

É uma oportunidade de dar um sinal claro: não é pagando que a poluição deixa de fazer mal. O poluidor-pagador não resolve. É reduzindo! É impondo regras que se resolve.

Haja coragem para avançar neste sentido!

Este é o exemplo cabal de como o modo de produção capitalista antagoniza com a preservação da natureza. Não se adequa às reais necessidades das pessoas e da sustentabilidade. Está apenas voltado para a obtenção das maiores margens de lucro mesmo que isso signifique continuar a explorar matérias primas (além da miséria humana) e depositar lixo no planeta. Mesmo que isso signifique cadeias comércio e distribuição megalómanas para fazer chegar um produto do outro lado do mundo, que naturalmente exigem mais energia e embalagens. O capitalismo não é verde, nem nunca será.

Podem contar com o PCP para enfrentar interesses económicos se isso significar redução do desperdício. E esta é uma excelente oportunidade de todos os que se dizem preocupados com o ambiente mostrarem de que lado estão e que interesses falam mais alto.

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