A decisão do BCE desta quinta-feira, 11 de Junho, que determina o aumento das taxas de juro em 25 pontos base, passando a taxa a fixar-se nos 2,25% a partir de 17 de Junho repete a opção de proteger os lucros da banca e de castigar os trabalhadores, as populações e a generalidade da actividade económica.
Tendo em conta a natureza deste processo inflacionário, centrada no agravamento da política de guerra e de agressão promovida pelos EUA, Israel e com o forte apoio da União Europeia, a opção de combater a inflação através das taxas de juro resulta numa dupla penalização dos trabalhadores, das suas famílias e também das micro, pequenas e médias empresas. Para os trabalhadores e as micro pequenas e médias empresas, os custos de capital aumentam, muitas vezes a níveis proibitivos, enquanto os motivos da inflação persistem e se agravam com a total complacência e cumplicidade das instituições europeias.
Estas medidas já mostraram os impactos negativos no passado recente, expondo centenas de milhar de portugueses a um aumento brutal das prestações de empréstimos à habitação (e também consumo), tendo em conta a predominância de créditos com taxa variável no crédito à habitação em Portugal.
O que se exige não é o alinhamento e a subserviência entusiástica – como revelou o actual Governador do Banco de Portugal - a estas directrizes do BCE, mas o combate a partir do Governo às opções que promovem a política de confrontação e guerra (com a subserviência da UE face ao imperialismo norte-americano) e privilegiam os lucros da banca (cada vez maiores) em detrimento da estabilidade e do bem estar da vida de milhões de trabalhadores.
O que se exige é uma política concertada de regulação de preços (energia, alimentos, juros, taxas e comissões bancárias), a par do aumento geral dos salários para fazer face ao aumento do custo de vida, combater injustiças e desigualdades. O que se exige são medidas de apoio à produção nacional, ao investimento público orientado para as necessidades de desenvolvimento do País, em vez de opções que, para além de promoverem o empobrecimento da população, colocam em causa o necessário crescimento económico (que está em clara desaceleração) e desenvolvimento do País.