| Intervenção sobre a actual arrumação
das classes Camaradas: Numa rápida radiografia do tecido social português, podemos
dividir a população, e antes de mais a população
activa, do ponto de vista do seu posicionamento de classe, em quatro sectores
fundamentais: Do seu estudo aprofundado podem-se extrair, muito sinteticamente, importantes conclusões: 1ª. A sociedade portuguesa apresenta-se, em termos de classe, fortemente
polarizada, tendo vindo a acentuar ainda mais essa polarização. 2ª. A burguesia monopolista reforçou a sua influência e poder. Ao mesmo tempo, agrava o seu conflito com as outras fracções da burguesia e o conjunto da sociedade e aprofunda a sua integração, em posições de subalternidade e dependência, com o grande capital transnacional. Daqui decorre que a luta contra a burguesia monopolista é simultaneamente uma luta pela independência e soberania nacionais, susceptível de chamar à acção comum uma vasta frente social, incluindo sectores da própria burguesia. 3ª. No que respeita às camadas intermédias, assalariadas
e não assalariadas, a evolução da situação
económica e social desde os inícios dos anos 90, por um
lado, confirmou a instabilidade social da pequena-burguesia. Por outro
lado, revelou o enorme crescimento das camadas intermédias assalariadas,
de meio milhão entre os censos, pelo que a disputa da sua representação
política será um factor de relevo acrescido das influências
sociais e expressões eleitorais dos partidos. 4ª. O trabalho produtivo moderno atravessa os serviços e abrange uma parte crescente do trabalho intelectual, aumentando a complexidade da composição da classe operária. Agravam-se, nalguns casos, contradições no seu interior, que dificultam a sua coesão e a formação da consciência de classe. Mas a classe operária não esgotou o seu potencial revolucionário. Mantém uma forte presença numérica na sociedade, de que se mantém o principal destacamento. O seu peso deve também ser avaliado pelo seu papel decisivo na produção de riqueza, pelo seu confronto objectivo com o mecanismo constitutivo da acumulação capitalista – a extracção de mais-valia –, e pela sua intervenção na luta social e política. 5ª. A evolução da situação social, com o enorme crescimento das camadas intermédias assalariadas, o assinalável crescimento dos intelectuais e quadros técnicos na população activa e na massa assalariada, contrastando com a diminuição e envelhecimento do campesinato, não põe em causa o sistema consagrado das alianças da classe operária, mas obriga necessariamente a reequacionar os pesos das suas componentes. Reforça-se a importância da aliança da classe operária com os intelectuais e outras camadas intermédias.
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