Pergunta ao Governo N.º 3581/XII/1
Encerramento do curso de cenografia da Faculdade de Arquitetura da UTL
Quarta 11 de Julho de 2012O PCP teve conhecimento da possibilidade de encerramento do curso de cenografia na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (UTL).
Os docentes deste curso terão já sido despedidos e os estudantes já foram informados sobre o encerramento.
A situação de subfinanciamento crónico desta instituição vem de há vários anos a esta parte. O Diretor da Faculdade terá inclusivamente responsabilizado os estudantes por esta situação de asfixia financeira devido ao atraso no pagamento das propinas, e incentivando os estudantes a contraírem empréstimos para pagar o curso, enviando inclusivamente uma carta a todos os estudantes com uma proposta de um empréstimo de um banco com o qual a Faculdade tem “contactos próximos”, nas palavras do Diretor.
Sucessivos governos PS, PSD, CDS e em particular o atual Governo, têm aprofundado o caminho da desresponsabilização do Estado no financiamento do Ensino Superior Público, transferindo estes custos exorbitantes para os estudantes e suas famílias, e têm contribuído para aprofundar a degradação da qualidade pedagógica.
O PCP continuará a exigir o financiamento adequado às necessidades permanentes das instituições de ensino superior bem como às necessidades de investimento e de desenvolvimento.
Assim, e ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, solicitamos através de V. Exa. ao Ministério da Educação e Ciência, os seguintes esclarecimentos:
1- Tem o Governo conhecimento da situação financeira que a Faculdade de Arquitetura da UTL atravessa?
2- Reconhece o Governo que essa situação está a colocar em causa a qualidade pedagógica?
3- Reconhece o Governo que o encerramento deste curso nesta instituição de ensino superior pública é efeito direto das políticas educativas de subfinanciamento e das orientações de subordinação da oferta de formação superior às flutuações do mercado?
4- Como entende o Governo ser compaginável o constante apelo ao chamado “empreendedorismo” quando nega aos jovens a formação superior que lhes pode permitir de facto novas capacidades para fazer frente às dificuldades económicas e sociais que o país atravessa?
5- Reconhece o Governo que a forma e o tempo em que foram anunciados os encerramentos de cursos frustram os esforços e empenho de milhares de estudantes, muitos deles que voltaram mesmo a estudar para concorrer ao ensino superior e que foram confrontados com o
encerramento dos cursos para que pretendiam candidatar-se?
6- Como entende o Governo que devem “empreender” os jovens que vêm agora negados o seu direito a concretizar o investimento que até aqui fizeram?




